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Me Cookies and Milk

Me Cookies and Milk

Amor vs Medo

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Se algum dia, antes de ser mãe, me perguntassem se achava possível não ficar completamente rendida e apaixonada pelos nossos filhos quando nascem, eu diria que era impossível. Afinal é assim que nos relatam a experiência no parto… 2 puxos, a criança nasce, berra, metem-na no nosso colo e nós desatamos a chorar de tanta alegria e paixão. É assim com toda gente que me relata o momento do parto, no meu caso não foi exatamente assim, admito que não fiquei descontroladamente apaixonada pelos rapazes quando nasceram…. Calma! Não chamem já a proteção de menores, eu passo a explicar.
Se colocarmos o coração de parte e pensarmos com algum distanciamento nisto da maternidade, confirmamos que é alguma coisa verdadeiramente extraordinária. Nós geramos uma vida dentro de nós porra! Como é possível?!? Admito que cada vez que penso neste poder que nós mulheres temos até fico tonta...
Passei 18 meses (9+9meses) perplexa com o que se passava dentro de mim. Quando eles nasceram até me custava acreditar que eles eram reais e que tinham saído dentro de mim. Quando o Dinis nasceu e o colocaram em cima de mim, o primeiro pensamento foi “Ai o caraças ele existe mesmo, e agora?!”. A gravidez foi planeada, devidamente acompanhada e explicada ao detalhe pela obstetra mas mesmo assim até me custava a crer. Não verti uma lágrima durante 5 minutos, porque não conseguia acreditar que ele era mesmo real. Depois lá me ocorreu um segundo pensamento “Ai nossa mãe eu não tenho jeito nenhum para crianças, o que vai ser deste rapaz?” E nesse momento sim, comecei a chorar. As lágrimas aos olhos das enfermeiras eram de alegria, mas só eu sabia que cada lágrima que caía era de medo, tanto medo de criar aquele bebé.
Vivi este drama de achar que não era capaz de criar o rapaz durante 1 ano, sim, 1 ano. Até que me apercebi que já tinha passado 1 ano e, embora com alguns sustos pelo meio, a realidade é que ele estava bem e era uma criança feliz. Passei a confiar mais nos instintos que a natureza nos dá quando somos mães e a viver a maternidade de forma mais serena mas não menos preocupada.
O tempo retirou-me o pânico de criar uma criança e mostrou-me o Dinis. Fui-me apaixonando por ele e ainda hoje esse amor cresce.
O Martim foi praticamente a mesma coisa, a única diferença é que não foram precisos 12 meses para afastar tanto medo e começar a ver o Martim… 