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Me Cookies and Milk

Me Cookies and Milk

Saber ser irmão

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Lá em casa havia um fato de treino que partilhávamos entre nós para que pudéssemos fazer educação física na escola. Se os horários coincidissem nesta disciplina faltávamos à vez à aula. A mãe escrevia na caderneta que não podia fazer educação física porque nos doía as costas, ou estavamos com gripe, ou outra desculpa qualquer.
Nunca houve fartura lá em casa, mas nunca em momento algum faltou amor.
Durante toda a minha infância sonhei ter umas allstars. Sonhava noite e dia com aquelas sapatilhas. Adorava-as. Quando a imã mais velha começou a trabalhar, comprou-me uma imitação. Não recebia grande ordenado e a maior parte era para ajudar a comprar bens essenciais para casa.
As sapatilhas tinham o formato das allstars, mas com um padrão da bandeira americana. Eram o número 35 e eu já calçava o 36. Os meus pés doíam tanto sempre que as calçava, mas nunca o admiti. Não tinha umas allstars nem nada parecido. Mas a minha irmã esforçou-se para mas dar e eu estava-lhe, e ainda hoje estou, tão grata. 
Lembro-me tantas vezes deste gesto. Gesto que me motiva a querer fazer o bem, sempre!
Sou a caçoila de três irmãs, e se hoje o Dinis tem um irmão, muito se deve ao facto de eu ter estas irmãs. Feliz dia dos irmãos!

Amor vs Medo

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Se algum dia, antes de ser mãe, me perguntassem se achava possível não ficar completamente rendida e apaixonada pelos nossos filhos quando nascem, eu diria que era impossível. Afinal é assim que nos relatam a experiência no parto… 2 puxos, a criança nasce, berra, metem-na no nosso colo e nós desatamos a chorar de tanta alegria e paixão. É assim com toda gente que me relata o momento do parto, no meu caso não foi exatamente assim, admito que não fiquei descontroladamente apaixonada pelos rapazes quando nasceram…. Calma! Não chamem já a proteção de menores, eu passo a explicar.
Se colocarmos o coração de parte e pensarmos com algum distanciamento nisto da maternidade, confirmamos que é alguma coisa verdadeiramente extraordinária. Nós geramos uma vida dentro de nós porra! Como é possível?!? Admito que cada vez que penso neste poder que nós mulheres temos até fico tonta...
Passei 18 meses (9+9meses) perplexa com o que se passava dentro de mim. Quando eles nasceram até me custava acreditar que eles eram reais e que tinham saído dentro de mim. Quando o Dinis nasceu e o colocaram em cima de mim, o primeiro pensamento foi “Ai o caraças ele existe mesmo, e agora?!”. A gravidez foi planeada, devidamente acompanhada e explicada ao detalhe pela obstetra mas mesmo assim até me custava a crer. Não verti uma lágrima durante 5 minutos, porque não conseguia acreditar que ele era mesmo real. Depois lá me ocorreu um segundo pensamento “Ai nossa mãe eu não tenho jeito nenhum para crianças, o que vai ser deste rapaz?” E nesse momento sim, comecei a chorar. As lágrimas aos olhos das enfermeiras eram de alegria, mas só eu sabia que cada lágrima que caía era de medo, tanto medo de criar aquele bebé.
Vivi este drama de achar que não era capaz de criar o rapaz durante 1 ano, sim, 1 ano. Até que me apercebi que já tinha passado 1 ano e, embora com alguns sustos pelo meio, a realidade é que ele estava bem e era uma criança feliz. Passei a confiar mais nos instintos que a natureza nos dá quando somos mães e a viver a maternidade de forma mais serena mas não menos preocupada.
O tempo retirou-me o pânico de criar uma criança e mostrou-me o Dinis. Fui-me apaixonando por ele e ainda hoje esse amor cresce.
O Martim foi praticamente a mesma coisa, a única diferença é que não foram precisos 12 meses para afastar tanto medo e começar a ver o Martim… 

Sabe bem fazer o bem

“Faz o bem e não olhes a quem”, disse-me a minha mãe, repetidamente, durante muitos anos (e ainda agora o diz).
Há cerca de 1 mês, depois de uma stressante e desgastante hora às compras (ora não fosse o Dinis andar sempre a meter dentro do carrinho de compras, à socapa, tudo que é brinquedos e bolachas) saímos apressados porque a cria mais nova gritava com fome e a mais velha com a neura de não ter trazido todos os brinquedos do hipermercado.
Enquanto tentávamos sentar e acalmar os miúdos, numa distração, a porta do carro abre mais do que o desejado e bate no carro estacionado ao nosso lado. A marca cinzenta era evidente no carro preto. Sustivemos a respiração e desejámos com todas as nossas forças que aquilo que víamos, uns riscos cinzentos, saísse facilmente ao passarmos a mão. Não saíram. O mês já ia longo com tantas despesas, desejávamos que aquilo não tivesse acontecido, podíamos até fechar a porta, olhar em redor para ter a certeza que ninguém viu e desaparecer. Não o fizemos. A nossa consciência, felizmente, não o permitia.
Deixámos um bilhete a pedir desculpa pelo sucedido e um pedido de contacto para resolvermos a situação.
E se o dono do carro aproveitar para fazer mais uns riscos e nos culpar pela situação. E se ele “não tiver as luas todas” e se lembrar de nos pedir uma indemnização por danos morais e etc e tal? Passou-nos muita coisa (parva) pela cabeça.
Passados 5 minutos de deixarmos o parque do hipermercado recebemos uma chamada. Era o dono do carro preto. Tinha lido o bilhete e estava a ligar-nos para resolver a situação.
Tinha um familiar que trabalhava na área. Ia pedir-lhe um orçamento. Combinámos na semana seguinte voltar a falar para saber quanto nos ia custar a reparação. Despediu-se com um “Obrigado”. Ficamos otimistas. Talvez o senhor só nos peça mesmo o dinheiro para a reparação da porta e não seja um oportunista e tente pintar o carro todo à nossa pala.
Não ligou na semana seguinte. Enviou-nos hoje uma mensagem a dizer que tinha um orçamento de 40 euros para reparar a porta. Dissemos logo para avançar, transferimos o dinheiro e despedimo-nos uma vez mais a pedir desculpa pelo transtorno. Recebemos a resposta a dizer simplesmente “Obrigado pela atitude! Obrigado pela sinceridade”.
Ficamos orgulhosos de nós. Por não termos caído na tentação fácil de irmos embora sem dizer nada. Ficamos orgulhosos porque o Dinis assistiu a tudo e talvez tenha percebido como é importante sermos sérios, respeitar o próximo e fazer sempre o bem. Porque afinal, apenas o bem compensa.

Regresso a festas – Regra n.º 1

Hoje foi dia de festa. Tivemos a festa de uma primeira comunhão.
Porque o S. Pedro está claramente confuso, ora está calor de querer tirar a roupa toda, ora está um gelo de querer vestir a roupa toda, apenas na véspera comprei roupa para os rapazes. No meu caso não estriei nada de novo (até voltar a ter o corpo perto do “normal” não quero fazer grandes investimentos no guarda fatos). Mas para não ficar com um ar demasiado casual decidi levar um blazer… branco. Sou parva? Sou! Quem é que se lembra de usar roupa branca com duas crias ainda pequenas e a amamentar? Só eu. O mais ridículo no meio disto tudo é que o Martim não bolsou uma única vez em cima de mim, nem o Dinis me espetou os pés cheios de lama no casaco… Fui eu própria que despejei o molho de tomate por cima de mim…

O que dizer a isto?! No comment!

Estou a criar o novo Usain Bolt

O Dinis desde os 6 meses marcou presença, praticamente todos os meses, numa urgência. Ora era uma bronquiolite, ora uma otite, ora uma laringite, ora outras coisas tantas acabadas em “ite”.
Não considero que sejamos uns pais excessivamente protetores. Mas tínhamos/temos os cuidados que nos parecem razoáveis (evitar expô-lo ao vento gelado depois de estar em casa quentinho, evitar o sol nos picos, trocar a roupa sempre que está suado, etc). Mas mesmo assim o rapaz acabava por ficar doente…um vidro de cheiro, vá!
Ontem saiu do colégio mais vermelho que o Marquês na noite de consagração do Benfica como campeão. Esteve a correr no parque do colégio. Estava além de vermelho todo suado.
Disse-lhe que devia evitar correr tanto, porque fica suado e depois fica doente, e com febre e chato e etc, etc… ao qual ele me respondeu “Mas eu gosto tanto mãe e ainda por cima eu sou mais rápido que os meus amigos”. Se juntarmos a esta frase um sorriso de orelha a orelha, o que lhe responder?! Pensei: raios, tanta proteção e mesmo assim acaba em casa doente… Respondi-lhe “Sabes que mais? Corre, corre muito, porque não tem mal nenhum”.
Assim, com certeza, vai estar ainda mais feliz no colégio, e eu sei lá se tenho o novo Usain Bolt lá por casa e eu estou a comprometer o seu futuro :)

Regresso ao trabalho – a saga

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Levamos 4 meses a mentalizarmo-nos que o namoro 24/24 horas com a cria mais nova só dura 4 meses, que vamos preparar com bastante antecedência o regresso ao trabalho, que o vamos deixar alguns dias na avó para se habituar a outro rosto e colo, etc, etc. Chega o derradeiro dia de voltarmos ao trabalho e… nada. Não estamos minimamente preparados para voltar a trabalhar. 

Além de não estarmos emocionalmente preparados para o “partilhar” com outra pessoa, mesmo sendo de confiança, a realidade é que todo mundo também não está ajustado aos nossos picos de adrenalina. Ora vejamos. Acordamos às 6h00 porque a cria não quer dormir mais. Se não quer dormir, vamos lá aproveitar para começar a tratar de algumas coisas: meto a máquina a lavar, apanho a roupa que ficou no estendal, arrumo restos de brinquedos que ficaram espalhados pela casa, arrumo a loiça da cozinha, adianto o jantar, tomo o pequeno-almoço e por fim um banho e vamos lá tratar do mais velho… Acordo-o, visto-o, o pai por norma dá-lhe a papa, convenço-o (todos os dias) que tenho mesmo de ir trabalhar porque o dinheiro não nasce nas árvores, mochila às costas e lá vamos nós. Meto um no carro, guardo o carrinho, meto o outro na cadeira aperto os cintos, respiro fundo e vamos lá deixar um no colégio outro com a avó… Ufa.
Quando chego ao trabalho estou com a pica que os comuns mortais, por norma, só têm por volta das 11h00. Ora bem, além de irritar as pessoas por estar tão “acordada” ao início da manhã, às 11h00 quando eles estão prontos para trabalhar, estou eu a tentar não sucumbir ao cansaço e não adormecer em cima da secretária. Com é de imaginar as reuniões de trabalho têm sido imensamente produtivas :)
Não vale a pena desesperar, lá para os 18 anos dos rapazes talvez consiga ter horários mais “normais” :)

Ai a maternidade

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Dizem que o segundo filho é mais fácil de criar. Porque, aparentemente, ficamos menos inseguras e mais desenrascadas. Dizem…
Pela minha experiência isto de ser mãe de segunda viagem não é assim tão simples. É verdade que consigo gerir melhor o meu tempo, e consigo meter a máquina da roupa a lavar com o rapaz ao colo enquanto canto “sobe, sobe balão sobe…” confiro se as roupas estão do avesso e se o Dinis não deixou rebuçados nos bolsos da roupa ou o Zé uma nota de 5€ (infelizmente nunca se esqueceu sequer de 1€).
Mas por outro lado os medos/inseguranças continuam todos presentes. Questiono-me se está bem quando dorme pouco ou quando dorme muito; se as bolhinhas que aparecem no corpo são realmente fruto do crescimento dele ou se está a fazer reação alérgica ao meu leite (como se isso fosse possível, valha-me Deus); se o cocó é muito claro ou muito escuro, mesmo sendo sempre da mesma cor, enfim, uma série de questão que são não questões.
Mas mãe é mãe, e isto de por  coração à parte e levar a vida sem preocupações é para as super mães e eu sou apenas uma mãe.

Tarefas paras 4 meses

Há 4 meses atrás estava a 2 dias de conhecer o rapaz mais novo cá de casa. Nasceu no dia de Santo Amaro. Podia-se ter chamado Zé Amaro, mas o irmão pediu que se chamasse Martim. E nós, sensatamente, aceitamos a sugestão.

Há 4 meses atrás defini algumas tarefas – simples - que queria fazer durante a licença de maternidade. Eram elas:

1º tirar leite suficiente para que o Martim se alimentasse do meu leite em exclusivo até aos 6 meses – Consegui! Embora tenha de introduzir o leite artificial antes dos seis meses porque o raio do congelador avariou esta semana e lá foi um stock de 4 meses de leite materno para o lixo… Não me vou alongar neste assunto para não me enervar novamente com o raio do congelador. Só tenho a acrescentar que ele (o congelador) é um grande parvalhão!

2º organizar os livros. Consegui! Isto de ter um marido que durante anos (felizmente melhorou) era viciado em comprar livros sobre todo tipo de assuntos era uma grande chatice. Sim, chatice. Experimentem viver num T3 pequenino com dois rapazes pequenos. Quase não há lugar para as escovas de dentes quanto mais para centenas de livros. Mas lá consegui arranjar espaço e tempo para lhes tirar o pó e organiza-los por temas.

3º organizar as roupa dos miúdos. É uma sorte e uma grande poupança ter roupa do Dinis que sirva para o Martim. Mas isto de recuperar roupa do irmão mais velho para o mais novo é uma canseira. Era mais simples se começasse do zero. Comprava tudo novinho e não me tinha de trazer os caixotes de roupa que estavam guardados na casa dos avós (um a um porque no carro não cabe mais do que um caixote), abrir, confirmar a roupa que está decente para se vestir, lavar e guardar. Mas lá consegui, ufa!

4º finalizar o álbum do 1º ano do Dinis. Gosto de ver as fotografias impressas, colocadas de forma organizada e muito delicada nos álbuns. Como antigamente. Consegui! Gosto da ideia de folhear e acho que o Dinis também vai gostar de ver o álbum dos primeiros meses de vida feito com tanto amor de dedicação. Ficou uma doçura!

5º começar a cozinhar alguma coisa comestível. E não é que consegui! Em quatro meses a cozinhar todos os dias, lá consegui arrancar um “olha, até está bom!”. Tanto que insisti que lá consegui fazer 2 ou 3 pratos que já se conseguem comer com prazer em vez de acabarem no lixo e connosco a atirar-nos ao pacote das bolachas no fim da “refeição”.

E pronto, era só isto! Parece pouco, mas olhando para trás, para estes quatro meses, hoje sinto-me inchada com tanto orgulho. Valente!!!! :)

Me

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Uma mulher do Norte. Da terra que dizem – com razão- que trocamos os “B” pelos “V”, onde vive muita juventude, e dizem também (não fui eu) que temos das mulheres mais bonitas do País (com muita pena minha, eu não ajudei para esta estatística :( ). Sou de Braga, pois claro!
Sou a mais nova de 3 irmãs. Nascida e criada no meio de muito mulherio (6) lá por casa e com apenas dois homens (pai e avô) para por ordem no “galinheiro” :). Este agregado familiar teve muita culpa na mulher que me tornei… Basicamente não sei cozinhar - porque havia sempre demasiada mulher de volta dos tachos (a culpa não foi minha, elas é que não me deram oportunidade de me aproximar do fogão); falo demasiado depressa - porque eramos imensos a exigir tempo de antena lá por casa, o que nos obrigava a ser claros e concisos … no meu caso, como não conseguia ser concisa, aprendi a falar muito depressa; e aprendi o mais importante – saber estar e partilhar!
Agora estou rodeada de demasiados hormônios masculinos. Sou mãe de três rapazes, sendo que o mais velho é o meu marido :)
Porque decidi criar este blog?
Não tenho a pretensão de ter um blog de sucesso. Há quantidade de novos blogs que aparecem por dia – que mais parecem cogumelos a arrebentar em plena primavera – seria ousadia a mais da minha parte. Também porque há blogs com conteúdos realmente interessantes, sustentados e escritos em bom português por pessoas verdadeiramente inteligentes, e não por uma pessoa que às vezes tem dificuldade em perceber onde deve colocar a virgula e que escreve com o coração na boca… (esta pessoa sou eu , claro :)).
Este blog será usado sobretudo como terapia para mim. Não me levem a mal…
Da minha tenra idade já vi, ouvi e vivi coisas incríveis. Coisas essas que ora me deixam incrivelmente feliz, ora me deixam estupidamente parva pelo exagero de estupidez que agregam.
Se as compilar aqui em forma de desabafo - de forma suave e divertida (pelo menos para mim ;) - talvez seja interessante daqui a alguns anos rever cada um dos posts e perceber de que forma cada um dos episódios que decidi relatar me foi formando enquanto pessoa.
Se algum dia alguém ler este blog além de mim, por favor não se sinta ofendido se encontrar alguma gralha (farei tudo para o evitar ;) ou achar este blog demasiado vago.
Feita a apresentação e advertência, vamos lá então…