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Me Cookies and Milk

Me Cookies and Milk

Ginástica matinal

Levantas-te às 7h30 para lavar e passar a bata do colégio que me esqueci no bolso da roupa suja da mochila. Tomas o pequeno-almoço e, ao mesmo tempo, aproveitas para tirar leite. A cria mais nova acorda. Dás-lhe de mamar. Veste-lo. Lavas a cara. Ele chora. Vais ao quarto colocar a chupeta e acalmá-lo. Limpas a cara e pões creme. Ele chora. Vais ao quarto colocar a chupeta e acalmá-lo. Vestes as calças. Ele chora. Vais ao quarto colocar a chupeta e acalmá-lo. Vestes uma camisa. Ele chora. Desistes, vais ao quarto pegas nele ao colo e vais preparar a roupa do Dinis. O Dinis acorda e deito-o à beira do irmão para se entreter. Aproveito e tento pentear-me. Volta a chorar. Deixo a trança a meio e faço um rabo-de-cavalo. Visto o Dinis o pai dá-lhe a papa. Lavo os dentes ao Dinis e barro-o com protetor solar. Meto o Martim no carrinho, dou-lhe um gizo e durante 2 minutos cala-se. Meto os sacos (mochila colégio, lancheira, mochila brinquedos) pendurados no carro e saímos. Não, não saímos. O Dinis começa a chorar porque está com comichão no corpo. Regressamos à casa de banho e deito-lhe pomada. Pede colo. Explico que não consigo. Começa a chorar porque quer colo. O choro desencadeia-lhe uma crise de tosse. Chora mais. O Martim começa a chorar. Desisto e saio com os dois aos gritos. O carro ficou longe à sombra. O Dinis queixa-se que não quer andar porque está calor e muito sol e agarra-se às minhas pernas. Chora. O Martim continua a chorar. Chegamos ao carro e percebo que me esqueci do leite que tinha tirado. Regressamos a casa. Pegamos no leite e voltamos para o carro. Os rapazes continuam a choramingar. Meto a tralha toda no carro. Meto os rapazes e arranco para o colégio. O Dinis não quer sair. O Martim continua a choramingar e a meter tudo à boca (dentes + calor = desespero). Lá convenço o Dinis a sair. Deixo o Martim com a senhora da entrada e deixo o Dinis na sala. Pego no Martim, agradeço à senhora e meto-o no carro. Chegamos à casa da avó. Pego nos sacos. Vejo leite no chão. O frasco tinha virado e vertido o leite. Respiro fundo. Tiro o tapete. Tiro o Martim. Arrumo tudo. Limpo os sacos que tinham leite. Dou de mamar ao Martim. Meto o lanche numa saca plástica. Despeço-me do Martim. Chego ao trabalho. Sento-me. Faltam 5 minutos para as 10h. Não cheguei atrasada. Respiro fundo.
Bom dia!

Hoje e sempre Portugal

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O transito desapareceu. Lá fora corre apenas uma ligeira brisa neste dia quente. Ouve-se pontualmente um carro a passar longe na estrada, alguém cujos afazeres não dão folga para ficar especado em frente a uma televisão. Talvez naquele carro se ouça o relato.
O mundo gira agora à volta de algum ecrã. Seja um ecrã de computador, televisão, telemóvel. Vale tudo, desde que dê o jogo.
Este ano o campeonato da Europa de futebol passa um bocadinho ao lado lá por casa. As crias roubaram-nos o tempo para ficar em frente à televisão a ver as noticias e os jogos. Exigem tempo para eles e nós damos-lhes com todo gosto.
Hoje o Dinis vestiu a camisola de Portugal. Nunca o fez. Somos orgulhosamente Portugueses todos os dias, haja ou não jogo. Mas ele quis e eu não tinha porque lhe dizer que não…
Força seleção portuguesa.

Adeus chupeta para sempre... ou até já?

Andávamos há imenso tempo a recolher ideias para tirar a chupeta ao Dinis. Ele só pega na chupeta para dormir, mas mesmo assim achamos que com 3 anos e meio já estava na hora de começar a tratar disso. Vimos ideias muito engraçadas:
_Pendurar a chupeta num balão com hélio e convida-lo a larga-la. Era giro vê-la a afastar-se no horizonte e talvez ele percebesse que nunca mais voltava;
_Começar a cortar aos poucos. Assim a sucção ia ficar diferente e talvez ele deixasse de ter interesse pela chupeta. A ideia até podia ser boa, mas ficamos com receio que ela se desfizesse e ele engolisse alguma coisa;
_Pedir a alguém que se mascarasse de fada das chupetas e trocasse a chupeta por um presente;
_Levá-lo ao dentista para lhe explicar o mal que faz aos dentes. Eu já o tinha tentado “assustar”, mas talvez uma bata branca o assustasse a sério;

Tivemos também sugestões mais radicais:
_“Leva-o ao pediatra e pede-lhe para o envergonhar em frente a outros meninos”
_“Tira-lhe a chupeta e atira-a – mesmo – pela janela”
_“Esfrega a chupeta num chão muito sujo para ele ficar com nojo dela”

Não usamos nenhuma desta ideia.

Ontem um Dinis fez uma birra descomunal ao deitar-se. Tanto se enervou que com os dentes estragou um bocadinho a chupeta. Mostrei-lhe o que fez e aproveitei para a acabar de desfazer. Ficou boquiaberto e depois de lhe explicar que seria perigoso continuar com a chupeta, aceitou o meu pedido para a deitar fora. Custou a adormecer, mas ao fim de 1 hora lá cedeu ao cansaço. Hoje vamos lá ver como se porta. Espero que não tente roubar a chupeta ao Martim :D

 

Treinadoras de bancada #1

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Médico: Leite materno exclusivo até aos 6 meses, mas se não conseguir tirar leite comece a dar-lhe uma peça de fruta.

"Treinadoras de bancada": Esta criança tem é fome! Ainda não dás sopa ao miúdo?! As minhas filhas aos três meses e meio já comiam sopa de feijão! Dá mas é suplemeto a menino! So dás fruta? Não lhe dás sequer uma bolachinha? Coitado do menino, ele tem é fome! Não faz cocó? Claro é por não lhe dares sopa!

Podia ficar aqui o dia todo a transcrever os bitaites que tenho ouvido nos últimos dias sobre a alimentação do Martim. Os médicos aconselham alimentação exclusiva com leite materno até aos 6 meses. Mas eu não estava a conseguir tirar leite suficiente e introduzi a fruta aos 4 meses e meio por indicação do pediatra. Ele gosta e come bem. Estou assim a tentar adiar a introdução da sopa para os 5 meses e meio/6meses. Mas com tanta pressão à volta, não tarda nada o rapaz já come bacalhau frito com grelos e batatas fritas...

Aiii o que uma mãe sofre 

Sistema informático da Segurança Social, aguenta-te!

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Os avós vão fazer a sua primeira viagem de férias, vão a Roma (aiii inveja boa), logo tive de tirar uns dias de férias para ficar com a cria mais nova em casa.
Aproveitei para ir (outra vez) à segurança social para perceber o que se passa com o subsídio de maternidade que ainda não se deram ao trabalho de pagar. Sim, literalmente não se deram ao trabalho de processar o pagamento do subsídio.
Quando ao fim de 1 mês e meio de licença não vimos cair na conta um cêntimo da segurança social, fomos lá. Esqueceram-se de actualizar o nosso NIB. Ficamos incrédulos, respiramos fundo e pensamos “ok, errar é humano, não vamos reclamar”. Aguardamos mais um mês, e outro, e lá caiu o subsídio de 1 mês e meio de licença, mas já tinham passado 4 meses e eu estava prestes a regressar ao trabalho. Voltei lá. Disseram que tinham de esperar que o banco devolvesse o pagamento, bla bla bla wiskas saquetas, mas que no próximo mês nos pagavam tudo… Voltamos a respirar fundo e acreditamos na palavra da senhora. Fizemos mal. Passou mais 1 mês e nada!
Voltei lá hoje, de caneta em cunho para reclamar e exigir responsabilidades. Fui atendida por uma senhora tão delicada e afável que perdi a vontade de reclamar. Mostrou-se preocupada, ligou para a contabilidade (ouvia-a, numa outra sala, ao telefone a reclamar com as colegas), imprimiu o meu processo e disse:
- Não se preocupe, eu vou acompanhar o processo e garantir que recebe as prestações em falta no próximo processamento. O problema é que o próximo é para pagamento a 21 de julho…”
- Ai meu Deus, mais 1 mês e meio à espera?!? – desabafei
- Sim, não podemos fazer mais nada a não ser garantir que não é esquecida na próxima vez…
Agradeci e preparei-me para levantar já a pensar como ia conseguir esticar o dinheiro por mais este tempo. As lágrimas vieram-me aos olhos. Ela olhou para mim e disse “Vai lá fora e peça para falar com o Director. Reclame!”
Levantei os olhos e disse-lhe que não a queria prejudicar porque ela tinha sido tão simpática comigo, ao que ela respondeu “Não me prejudica. Só vai exigir o que é seu por direito próprio e contribuir para que estas situações lamentáveis não se voltem a repetir”.
Agradeci e fiz o que ela disse.
O director recebeu-me de rosto fechado e pouco simpático. Depois de relatar tudo de forma cordial, mas não menos indignada, pediu-me desculpa e mostrou-me no computador que já estava dada a ordem de pagamento. Foi a senhora que me atendeu anteriormente que o tinha feito. Já o podiam ter feito nas outras vezes que lá fui reclamar mas tinham decidido não o fazer. Disse ele “Bastava clicar num botão a dizer “sim, reemitir pagamento”. Suspirou e eu suspirei também pela falta de sorte e de profissionalismo. Disse-me que no final do mês de Julho recebia as prestações em falta a não ser que houvesse um colapso informático.
À sorte que temos nestas coisas, é bem provável que o sistema informático da segurança social arrebente nos próximos tempos.
Vamos esperar que não 

As nossas dores

As nossas dores parecem sempre maiores do que as dos outros. São nossas, sentimo-las na pele. Mas não é verdade. Às vezes, para não dizer sempre, precisamos de olhar para o lado para percebermos como somos injustos ao acharmos que não temos sorte nenhuma.
Há alguns anos, tinha o Dinis alguns meses, estava a assistir a um workshop sobre Recursos Humanos e falava-se de resiliência. Enquanto a oradora falava, eu trocava mensagens com o Zé sobre o aspeto do cocó do Dinis. O Dinis quando está prestes a cair de doente, o primeiro sintoma é um cocó estranho (não vou ser mais descritiva porque acho que ninguém está interessado em saber como é o aspeto do mesmo ). Ele estava em casa e eu estava preocupada com o Dinis. Persentia que ia ficar novamente doente com mais uma bronquiolite e estava com medo. Medo das noites com ele ao colo, com picos de febre muito irregulares, rabugento, com tosse ininterrupta e sem apetite nenhum. Durante a troca de mensagens ouvi uma participante a pedir autorização para falar. Eu, continuava a trocar mensagens. Tomou a palavra e contou com venceu um cancro. Fui levantando os olhos do telemóvel e segui a voz até encontrar o rosto daquela mulher. Tinha vinte e poucos anos. Venceu a batalha contra o cancro e estava ali a incentivar as pessoas para pararem de se queixar. Não é suposto travar uma batalha assim tão jovem. Mas ela felizmente (como tantas outras) deu luta e venceu.
Tinha deixado uma mensagem para  o Zé a meio, voltei os olhos para o telemóvel e senti-me envergonhada por estar a achar que o mundo estava prestes a ruir porque o Dinis poderia estar a ficar doente. Ele ainda nem estava doente, e eu já estava aflita. Apaguei a mensagem, guardei o telemóvel e levantei os olhos para aquela rapariga. Fixei-a e pedi-lhe desculpa nos meus pensamentos. Pedi-lhe desculpa por achar que a minha vida é difícil quando ela teve um teste tão duro à sua coragem, fé e força e não virou costas ao problema.
Hoje, o Dinis já deu sinais que os próximos dias vão ser de choco por casa. Tenho medo, é inevitável… mas aquela rapariga não me sai da cabeça nestas ocasiões. Ganho vergonha e ganho coragem para ser a mãe forte e corajosa que ele precisa.

Dia da criança e as batatas fritas

- Então Dinis gostaste da festa do dia da criança que o colégio fez?
- Sim. O Barbosa comeu as batatas fritas TODAS!!!
- Então vai ficar com uma valente dor de barriga. E mais? Além do picnic o que gostaste mais?
- A Ana ralhou com o meu amigo?
- Porquê? Que amiguinho?
- O Barbosa porque comeu as batatas fritas todas. Comeu uma, depois outra e mais outra… Comeu TUDO!
- OK. Já percebi que o Barbosa gosta muito de batatas fritas..
- Eu também, mas só comi 2 porque o Barbosa comeu o resto.
- OK. Além de batatas fritas o que havia mais no picnic?
- Presunto.
- PRESUNTO?!?
- Sim. Batatas fritas de presunto!
E pronto, andou o colégio a preparar uma festa do dia da criança tão bonita, num espaço ao ar livre, junto ao rio, e ele só fala nas batatas fritas