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Me Cookies and Milk

Me Cookies and Milk

Aguentar até à última

Já aqui tinha falado do facto do Dinis ter passado, desde os 6 meses, mês sim, mês sim, nas urgências.
Falhou todas as festas do colégio e não havia festividade cá em casa em que ele não estivesse doente (natal, páscoa, festas anos, etc).

Aos 3 anos o Dinis melhorou. Participou em todas as festas do colégio e apenas no ano novo ficou doente. Esteve mais vezes doente ao longo do ano, mas nenhuma vez coincidiu com alguma festa ou passeio.

Parece impossível, mas ele lá se aguentou. Ontem houve a última festa (festa de anos de um coleguinha) antes das férias do colégio. Ele lá foi e no fim da festa ligaram a avisar que o Dinis tinha varicela. Varicela? Como é possível? Ele não tinha nenhuma bolhinha suspeita, nem febre, nem queixa alguma. Lá acabou numa urgência ao fim do dia e confirmou-se que é varicela.

Não é que o rapaz aguentou mesmo até à última e quando se previa dias de “tédio” para ele, lá deixou ele que a varicela se manifestasse? Incrível!

Agora aqui estamos nós, ambos em “cativeiro”. Eu a recuperar da pneumonia, ele com ar de quem andou a jogar paintball todo nu. Tadinho é bolinhas em todo lado

Ainda bem que o tempo não pára

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Que o tempo não pára, isso nós sabemos. Que passa mais depressa do que desejamos, isso é porque nós deixamos.

A adaptação a gente nova cá por casa aconteceu de forma relativamente calma muito por culpa do Dinis. Aceitou o irmão, embora não fosse vidrado nele, e compreendia sempre que ele desatava aos gritos de noite ou eu tinha de interromper as brincadeiras com ele para dar de mamar ao Martim. Comentava regularmente com as pessoas de forma conformada, “ele chora muito, mas isso é por ser pequenino”.

Mas, embora esta adaptação tenha corrido bem, recordo-me de ir à primeira consulta com o Martim, a médica passar a receita para o Vigantol e dizer-me para dar uma gota a partir dos 15 dias. O pensamento que me ocorreu foi “Aiiii ainda falta tanto para ele fazer 15 dias”. Desejei que ele já tivesse 3 ou 4 anos, admito. Não queria perder os primeiros tempos dele, mas ele chorar sem saber o motivo, não perceber se ele está bem ou não, se o leite é suficiente, se devo ceder às pressões e dar suplemento em vez do meu leite, entre outras coisas, fizeram-me desejar que ele já falasse e me disse-se como se sentia.

Passei os primeiros dias a olhar para o calendário que existe sobre a lareira. A contar os dias para começar o Vigantol. Depois a contar os dias para ele fazer 1 mês, 2 meses e 3 meses…

Ele ficou doente ao mês e meio. A médica chamou-nos à atenção que devíamos ser mais cuidadosos, afastá-lo do irmão porque trazia vírus do colégio. Disse isto com tanta frieza que nos deixou um tanto ao quanto assustados com ela, com a sua insensibilidade. Como posso afastar o Dinis? Ele é meu filho, irmão do Martim e precisamos, e queremos, que ele esteja ao pé de nós. Evitámos sempre que andasse aos beijos ao irmão quando estava, ou aparentava estar a chocar alguma coisa, mas mais do que isso não podíamos fazer.

Mas era por isso que contava os dias, por causa da fragilidade do Martim.

Embora sempre de olhos postos no calendário, nunca deixei de aproveitar cada momento com o Martim. Agora, olho para o calendário e já passaram 6 meses. Ainda não diz onde lhe dói ou porque está aborrecido, mas já nos diz o quanto gosta de nós com aqueles olhos rasgados, perninhas a dar-a-dar e bracinhos a pedir colo.

O tempo não pára, e ainda bem que assim é, porque nos obriga a olhar para a vida todos os dias e perceber que temos de a viver intensamente.

Planos para a vida? Não, obrigada!

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Ouço recorrentemente as mães ou futuras mães a falar das suas previsões para os seus filhos quando forem crescidos. Elas acham que vão ser engenheiros civis, porque fazem construções em legos impressionantes. Mas também podem ser trolhas, não? Ou vão ser grandes gestores, porque tão pequeninos e já têm a arte de influenciar as pessoas, de negociar/regatear. Mas também podem ser feirantes, não? Ou então vão ser grandes artistas plásticos porque fazem peças impressionantes em plasticina. Mas também podem ser artesãos, não?

Há profissões para todos os gostos, mas todas elas em GRANDE.

Talvez por me desviar um bocadinho daquilo que é considerado o “padrão de mãe” eu nunca imaginei como seria o Dinis ou o Martim antes de nascerem. Não os imaginei com os meus olhos verdes e cabelo loiro, nem com as orelhas e o nariz do pai. Fossem, como fossem seriam perfeitos para nós com certeza. Também nunca imaginámos que profissão teriam eles, nem o tipo de pessoas se irão tornar - serão sociáveis, tímidos, educados, rabugentos, orgulhosos, desenrascados, românticos, católicos ou fúteis? Não sabemos e, sinceramente, não queremos saber.

Eles serão aquilo que quiserem, sem pressões nossas. A vida encarregar-se-á de lhes mostrar vários caminhos e nós pais só podemos aconselhar, mas nunca podemos decidir por eles. Os filhos não são nossos, não podemos usá-los para concretizar sonhos que não conseguimos realizar, nem que sigam os nossos passos. Isso seria puro egoísmo nosso.

Todos os dias pedi apenas (mesmo antes de ser mãe) que os meus filhos fossem saudáveis, e se possível fossem boas pessoas/bons cidadãos. Que fossem educados e que respeitassem a vida (a sua e a dos outros). Todos os dias trabalhamos nesse sentido e tentamos dar o exemplo.

O Dinis é muito envergonhado e embora já frequente o mesmo colégio há 3 anos, ainda hoje não tem coragem de dar “bom dia” à senhora que nos recebe no colégio. Todos os dias o incentivamos a cumprimentar as pessoas, mas nem todos os dias o faz (raramente o faz). Continuaremos a dar-lhe o exemplo. Se seremos bem-sucedidos? Não sabemos.

Ontem recebemos a avaliação do colégio em relação ao desenvolvimento do Dinis. Vimos de rajada que tinha as cruzinhas todas na coluna do meio (nível atingido). Ótimo. Há pais que vibraram com o “nível superado” atingido pelos seus filhos. Nós vibrámos com as observações em relação ao comportamento do Dinis “O Dinis é uma criança meiga… trabalha com os colegas e ajuda-os. É sensível aos sentimentos, interesses e necessidades dos outros…” Oh pah, posso pedir mais? Claro que não. Assim está perfeito!

Hospital porque te quero... ou não!

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Ora bem, já algum tempo que não nos passeávamos pelas urgências num hospital, por isso decidi que estava na hora de matar estas saudades de batas brancas, horas de espera intermináveis, auscultações, medicação SOS, exames e mais exames e outras coisas tantas que uma doença nos pode proporcionar :/
Felizmente desta vez os rapazes ficaram a salvo desta adrenalina das urgências, foi cá a menina que decidiu arranjar uma doença.

Na sexta decido ir à médica porque há 2 semanas que andava com febres irregulares. Depois de me auscultar percebeu que um dos pulmões não estava muito bem e mandou-me fazer um Raio X. Andei 2 horas ao sol atrás de um bendito local que me fizesse um Raio X de urgência. Talvez por causa do sol, ou não, assim que terminei o Raio X fiquei com tantas, mas tantas dores num dos lados das costas que mal consegui conduzir até casa.

Tomei um banho, tentei descansar, mas as dores eram insuportáveis (eu que já tive 2 partos e um aborto, não estava a conseguir aguentar as dores)… franquinhaaa!

Fui à urgência e aí começou a diversão.

Sou chamada para a triagem, o médico ou enfermeiro ou lá o que é aquele senhor, nem levanta os olhos e antes de me sentar perguntar “QUÉ QUE TENS?!” Percebi que aquilo ia ser uma conversa muitoooo interessante. Fiz um rápido resumo do que aconteceu e acabo a dizer que além das dores insuportáveis tenho febre. Ele não responde. Passado uns segundos pergunta “Tens febre?”. Lá repeti “sim, tenho febre”. Lá me mete um aparelho o ouvido e exclama “ Ei, pois tens. Devias tomar um benuron”. Acenei com a cabeça concordando com ele no que toca ao benuron. Continua “ Não trouxeste nenhum?” Oi, como?!? Era suposto trazer medicação para um HOSPITAL?! Respondi com admiração “Não, não trouxe. Eu estou num hospital, vocês não têm?”. “Não, eu não tenho mas devias arranjar algum para baixar a febre”. Nem respondi.

Afastei-me para a sala de espera parvinha da vida e enquanto pedia ao Zé que fosse a uma farmácia comprar medicação esbarro com dezenas de pessoas na sala de espera. Estava tantaaa gente. Estavam doentes, impacientes e cansados de estar à espera. O tempo de espera para casos “amarelos” era de 3 horas no mínimo. Quis logo vir embora mas o Zé lá me convenceu a ficar.

Admito que as 4h30 que aguardei para ser atendida até passaram depressa. Havia tanta coisa acontecer à volta que me distraia. Houve situações para todos os gostos. Aqui ficam as mais interessantes:

Ambientadores naturais
O senhor ao meu lado tinha calor. Calor nos pés. Decide descalçar-se e é nesse momento que sobe um cheiro a churrasco fora do prazo misturado com fertilizante natural das lavouras.

Não bastava o cheiro a churrasco (mau) umas cadeiras à frente um senhor decide presentear-nos com um miniconcerto de libertação de gases. Nesse momento só me ocorria cantar “soltem os prisioneiros, soltem os prisioneiros, por todo mundo há prisioneiros, la la la”

Medicação à força
Chamam a Dª Lucinda. Lá vai a senhora, já de alguma idade, pela quinquagésima vez ver se é desta que a chamam para dar alta. Vai uma filha com ela. Diz-lhe a enfermeira “Dª Lucinda vamos fazer medicação”. A filha questiona para que era a medicação e acha estranho o tipo de medicação que a mãe vai fazer. Insiste com a enfermeira que a medicação deve estar errada. A enfermeira insiste que não, e tenta à força dar a medicação à senhora. A filha exige que vá confirmar a medicação a dar à mãe. A enfermeira regressa e diz “Está certa sim senhora, a Dª Lucinda Pinto tem de tomar esta medicação”. A filha afasta a mãe e diz à enfermeira “Então chame a Lucinda Pinto, porque a minha mãe chama-se Lucinda Carvalho”… Senti medo, muito medo.

Quase viúva
A mesma senhora que tentam forçar a medicação conta que há algum tempo atrás foi ao hospital com o marido. Chamaram-na para anunciar que o marido tinha falecido. Ficou, naturalmente, de rastos, revoltada, exigia explicações até porque o marido entrou no hospital com um quadro clinico nada grave…. Lamentaram e explicaram que não tinha resistido. Ainda a médica falava com ela, quando esta senhora a interrompe e diz “Obrigada pelos pêsames, mas não devem ser para mim porque o meu marido vem aí”. Ups, engaram-se na “viúva”.
E pronto, mais episódios houve nestas 4h30 de espera, mas tinham tanto de ridículo como engraçado que passava o resto do dia aqui a relatá-los.

 

Ah é verdade, diagnosticaram-me uma pneumonia. Repouso, líquidos, muitos líquidos, antibióticos e há-de passar num instantinho. Felizmente posso continuar a amamentar a cria mais nova… Yeahhhhhh!

Que fique para a história...

Ao Dinis e ao Martim...

Daqui a muitos anos, quando vocês lerem estas memórias quero que saibam isto:
Há 3 dias fez-se história. Uma história que não vem nos vossos livros de história da escola. Provavelmente os vossos livros de história falarão de 2016 como um ano de instabilidade política no nosso País, do governo que não ganhou as eleições mas chegou à liderança, da saída da Inglaterra da União Europeia, de ataques terroristas, e de outras coisas mais. De certeza que nos vossos livros de história não relatarão a vitória de Portugal na final do campeonato da Europa de futebol. Talvez vocês nem gostem de futebol, mas devem saber que este campeonato deverá ficar para sempre nas nossas memórias.
Há 3 dias jogamos a final do campeonato da Europa de futebol e ganhámos.
Começamos o campeonato no grupo, aparentemente, mais fácil. Equipas principiantes, sem grande história no futebol, nem com grandes vedetas que nos fizessem tremer. Empatámos os jogos todos. Não jogámos bonito, mas lá conseguimos passar depois de tanto sofrimento e luta. Até à final ganhámos os jogos nos descontos e nos penáltis. Ganhámos todos os jogos desta segunda fase do campeonato, mas muita (mesmo muita) gente questionou a "justiça" de estarmos na final. O nosso treinador, Fernando Santos, disse numa conferência de imprensa, no início do campeonato, que só voltava no dia 11 de julho (dia após a final) e ia ser recebido em festa... Nós rimo-nos desta afirmação. O riso de gozo deu lugar a um sorriso envergonhado no dia 11 de julho. O treinador acreditou na equipa e nós -a maior parte de nós - não acreditou nele.
Desde que vocês nasceram que deixei de ver tanto futebol. Alguns dos jogadores da seleção, admito, nem os conhecia. Mas vale a pena conhece-los. Foram mais de duas dezenas de jogares que lutaram pelo nosso sonho. Levaram a pátria ao peito e por ela deixaram a pele em campo. Correram até as pernas começaram a ceder pelo cansaço. Levaram a cabeça sempre que as coisas não corriam de feição. Nunca desistiram mesmo quando nós estávamos quase a desistir deles.
Na final o Ronaldo - o melhor jogador do Mundo - lesionou-se no início do jogo. Chorou, e Portugal chorou com ele. Assistimos em silêncio à sua saída de campo. Nos nossos pensamentos ocorria-nos que talvez não conseguíssemos vencer aquela seleção que nos chamou de nojentos, a França. O capitão estava fora de jogo. Assim que o jogo recomeçou depois da substituição do Ronaldo, Portugal voltou a erguer-se. Levantámo-nos e gritámos por Portugal. Creio que os gritos de apoio entoavam por todo Mundo. A seleção estava de volta e acreditou que podia vencer por nós. Nós acreditámos nele. Chegámos ao fim dos 90 minutos empatados a 0. Lutámos por mais 20 minutos e mesmo no fim do prolongamento o "patinho feio" da selecção, o Éder, encarnou a bravura de uma nação e chutou à baliza... foi golo!
O golo levantou um País. Gritámos eufóricos, saltámos de alegria e abraçámos desconhecidos. Juntos, todos juntos gritámos Portugal.

Nessa noite fiquei convosco no quarto a adormecer-vos enquanto lá fora havia um Portugal que se levantava para festejar.
Vocês adormeceram embalados pelos festejos, pelos gritos a Portugal, pelas buzinas dos automóveis, pelos apitos e fogo-de-artifício.
Vocês adormeceram enquanto Portugal acordava de um sonho que há muito havia sido sonhado. Quando vocês acordaram Portugal estava vestido de verde e vermelho. Nas janelas haviam bandeiras, as pessoas sorriam e todas as conversas eram sobre aquele jogo.
Há 3 dias renascemos e tornámo-nos num País ainda melhor, e vocês fazem parte deste País!

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Façam barulho

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Há uns dias atrás embora feliz pela passagem de Portugal à final do campeonato da Europa, pedi que os festejos fossem um bocadinho mais silenciosos. Os rapazes não estavam a conseguir adormecer com tanto festejo na rua.😂 Hoje a festa repete-se e eu cá estou, na cadeira do quarto do Dinis à espera que ele adormeça embalado pelo som dos foguetes, gritos, cânticos, tachos e panelas que Portugal levou para a rua. 

Estou incrédula com a vitória. Assumo que não acreditava, mas desejei-a tanto que agora só me apetece ficar aqui nesta cadeira a ouvir o silêncio dos rapazes a dormir e imaginar a festa que vai lá fora. 

Só me resta agradecer este dia feliz. Obrigada vida! 

Shiuuuuu 😃

Ele é fogo de artifício, vuvuzelas, gritos, apitos, panelas, e mais uma data de coisas que faz (muito) barulho. Portugal chegou à final do campeonato da Europa. O País está ao rubro, eu também estou muito feliz, mas os rapazes estão a dormir... Será que podem comemorar mais baixinho por favor? Hihihi

Praia alternativa

Quando metade do País está numa praia e outra metade está numa piscina ou rio, tu estás em casa agarrado ao ferro de engomar a despachar, pelo menos, 4 máquinas de roupa... Ah vida boa! 😉

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