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Me Cookies and Milk

Me Cookies and Milk

Nascer outra vez

É difícil isto de começar de novo. Creio que as sensações que estou a viver pela primeira vez são idênticas às que um bebé tem quando nasce. É tudo novo, e nós tão frágeis.

Aterramos num mundo que não era habitualmente o nosso. Temos de nos integrar, aprender a comunicar, estabelecer relações e cortar o cordão umbilical com o passado.

Sentimos os olhos postos em nós. Sentimos a urgência de nos quererem ver correr, mesmo que ainda não tenhamos aprendido a gatinhar. Sentimos os olhos postos em nós, a pressão, a avaliação a desconfiança de quem nos vê pela primeira vez. A pressão é tanta que, às vezes, nos faz duvidar se tomamos a decisão certa.

Tenho a certeza da decisão que tomei, mas que me sinto um bebé indefeso acabado de nascer, isso sinto!

Novo capitulo profissional

Levantei-me cedo. Não corri nem stressei. Os miúdos foram acordados lentamente. Bem-dispostos foram para a avó mais cedo que o costume. Não estranharam, nem se queixaram. Fui descansada, mas não menos nervosa, para o trabalho.

Mas desta vez para o novo trabalho.

Cheguei 10 minutos mais cedo. Ao mesmo tempo da segunda admissão da empresa além de mim. Ela estava impecavelmente penteada, maquilhada, com roupa engomada, unhas pintadas (mãos e pés) e bolsa de uma marca conhecida - e cara - a combinar com o outfit.

Eu estava de roupa engomada - embora tenha ficado ligeiramente amachucada no lado direito porque tinha estado a amamentar a cria mais nova antes de vir- , as unhas foram pintadas na noite anterior antes de ir para a cama - não ficaram impecáveis, mas disfarçavam as imperfeições – e com uma bolsa antiga de uma marca conhecida – mas barata. Dentro da bolsa levava além da carteira, chaves e telemóvel, uma banana para comer a meio da manhã. Sentia-se um aroma a banana sempre que abria a bolsa. Por isso fi-la refém num bolso interior da bolsa para evitar algumas “vergonhas”.

Fomos recebidas pela responsável dos RH, apresentadas a 100 pessoas e depois… toca a trabalhar.

Tinha noção +/- das funções que me esperavam. Não tinha era a mínima noção da responsável e complexidade do trabalho que me esperava. É alguma coisa absolutamente assustadora. Se falhar uma virgula que seja comprometo tanto, mas tanto, trabalho de outros departamentos, que só de pensar já sinto uma gota de suor a escorrer pelas costas… Ai meu Deus!!!!

Agora aqui estou, ainda de nó na garganta. As certezas da minha mudança de emprego esvaneceram-se e estou com um pico de pessimismo. Aiii caraças, não pode ser! Isto deve ser normal… Amanhã o dia volta a nascer lindo e carregadinho de esperança, por isso, acho que vou já para a cama! 

Até amanhã!

Obrigada S. Pedro

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 Perdoem-me gente que está de férias a rezar por dias de sol tórrido. Que trabalham todos os dias para um bronze de fazer inveja a todos os colegas de trabalho, mas o meu desabafo de ontem surtiu efeito e hoje até já choveu. Não pedia tanto, mas o S. Pedro deve ter ouvido também as preces dos agricultores que pediam uma chuvinha para ressuscitar as hortas.

Agora pensando bem, tu queres ver que o S. Pedro segue o meu blogue?!

 

#Desabafo

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Eu tenho de dizer isto, embora tenha a certeza que me vou arrepender…

Eu estou fartinha de tanto calor. Pronto já disse.

Eu sei que estamos no tempo dele. Eu sei que quem está de férias merece uns dias de sol abrasadores. Eu sei que a vitamina D faz muita falta. Eu sei que não tarda nada estou a queixar-me do frio… Eu sei isso tudo e respeito, mas caraças isto não se aguenta.

Dou por mim a ir todos os dias ao site do IPMA ver as temperaturas para os próximos dias. Enquanto o site carrega, dou por mim a pedir com todas as minhas forças que as temperaturas dos próximos dias fiquem abaixo dos 35 graus… mas sem sucesso. Mal carrega o site é ver as máximas upa upa. Tudo lá para cima.

É roupas coladas ao corpo com o suor, miúdos chatos porque não conseguem dormir, pais chatos porque os miúdos não nos deixam dormir, persianas abertas de madrugada, melgas a entrar dentro do quarto, melgas a fazer barulho, melgas a picar, mudas intermináveis de roupa, etc…

Oh meu rico S. Pedro, será que podes baixar um bocadinho, só um bocadinho aqui a temperatura do forno? Muito agradecida!

Egoísmo porque não te quero

Estamos em fila no trânsito e alguém desata a apitar com toda intensidade e persistência que quase nos mata com o susto. Oh amigo, estamos todos na mesma situação. Ou arranjas umas asas ou esperas como todos nós – penso eu.

Estás na fila do supermercado e o cliente que está atrás de ti cola o carrinho às tuas costas e começa a “bufar” com toda a intensidade que até ficas com frio com toda a ventania que ele gera. Oh amigo, se aqui houvesse umas pás eólicas conseguia gerar energia suficiente para iluminar o hipermercado – penso eu.

Vais a um casamento e toda gente aponta os seus smartphones à noiva na entrada da igreja, como se de armas se tratassem. Metem-se à frente de toda a gente, inclusive do desgraçado do noivo que perde o momento mais bonito da cerimónia (pelo menos para mim). Oh amigo, se fosse a mãe do noivo punha-te blush nessa cara com tanta chapada – penso eu.

Cruzaste com um colega que te pergunta “Tão, as férias foram boas?”. Respondes “Sim, embora os miúdos tenham ficado doentes…” Corta-te logo a palavra para contar qualquer coisa sobre as férias dele, sem querer saber mais sobre ti, nem dos miúdos. Oh amigo, eu quero lá saber que tenhas nadado com tubarões. Embora tenha sido um desperdício não lhe teres feito festinhas – penso eu.

Ligas a uma colega a dizer “Caraças, estou com um problema…”. Interrompe-te antes de acabar a frase com algo do género “E eu? Estou bem pior!”. Nem sabe o que vou dizer, mas seja o que for os problemas dela são bem piores. Enfim!

Isto tudo são episódios frequentes. Coisas do dia-a-dia que só trazem ao de cima o egoísmo do ser humano. A maior parte de nós vive focada em si. Completamente indiferente às pessoas que estão ao seu lado.

Páramos para pensar que aquela fila de trânsito pode existir por causa de um grave acidente? Não! Achamos sim que é por causa de um aselha que decidiu tomar o pequeno-almoço no café da esquina e deixou o carro no meio da estrada.

Paramos para ouvir os desabafos de alguém. Claro que não! Desatamos logo a relatar os nossos problemas como se fossem os maiores do mundo.

Não paramos para ouvir quem temos ao nosso lado, nem tão pouco observa-los. Precipitamo-nos nas conclusões que tiramos sobre determinado episódio ou assunto e nem damos a hipótese da nossa teoria estar errada. Somos egoístas e depois queixamo-nos que o mundo está cada vez mais violento.

Levantemos os olhos do nosso umbigo e olhemos para o lado. É uma boa maneira de começar a tornar este mundo bem melhor.

Fica a dica.

Loucuras de uma mãe #1

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Se há 3 anos soubesse o que sei hoje, tinha poupado uns bons litros de lágrimas. Tornei-me mãe e dei por mim a fazer coisas que achava que só alguém muito desequilibrado podia fazer. Coisas como:

  • Sair do quarto a rastejar: O rapaz dava luta para dormir. Chorava tanto quando percebia que ia deita-lo na cama dele, que a maior parte das vezes acabava por ceder e deixa-lo dormir no meu colo. Mas, as vezes que conseguia deita-lo no berço (raríssimas), se ele estivesse semiacordado e me visse abandonar o quarto, desatava num berreiro que acordava todo o prédio e arredores. Por isso deitava-o e fazia-me desaparecer do quarto rastejando. Era ridículo, claro, mas chegou a resultar uma meia-dúzia de vezes.
  • Substituir-me por peluches: Antes de sair a rastejar do quarto, tinha de assegurar que o rapaz não sentia que estava a deixa-lo no berço. Então, assim que o deitava ia substituindo o meu corpo por peluches e almofadas que, no global, tivessem o meu tamanho e fizessem pressão nos sítios exatos… Para parecer que ainda estava ali, mas não estava… já estava a sair do quarto a rastejar.
  • Ir à casa de banho com o rapaz ao colo: Isto de amamentar é muito bonito mas dá cá uma sede. Beber 5 litros de água por dia significa umas boas dezenas de idas à casa de banho. Mas nem sempre o rapaz estava a dormir ou suficientemente sossegado para o deixar 30 segundos enquanto ia à casa de banho. Por isso, algumas (poucas) vezes o rapaz foi ao meu colo.
  • Fazer render o banho: Ainda hoje é o momento mais zen que tenho. São 5 minutos que sabem a 1 hora num SPA. Os miúdos ficam com o pai, e eu tenho direito a 5 minutos de água a correr sem interrupções, sem crianças agarradas às pernas, fazer birras, bolsar, etc. Admito que algumas das vezes, depois de tomar banho, fico por lá mais 5 minutos a aproveitar o silêncio da casa de banho.
  • Bombardeamento de perguntas: Perguntar a toda gente se acham normal determinado comportamento da criança, crescimento, plano alimentar, peso, perímetro cefálico, dentição, etc. Isto até pode parecer normal, mas fazer estas perguntas a pessoas que não têm filhos, não são pediatras, nem percebem nada do assunto, é um bocadinho parvo. Mas pronto, eu fazia-o (e ainda faço às vezes).
  • Repetir roupa da “sorte”: É muito parvo, mas quando o rapaz dormia uma noite melhorzinha, usava o mesmo pijama na noite seguinte (era como se fosse um amuleto da sorte). Lavava o pijama de manhã para dar tempo de secar para a noite, e repetia o processo sempre que a cria dormia bem.

Estas são algumas das situações que me fizeram duvidar se “jogava com o baralho todo”. Durante muito tempo acreditei que estava a ficar parvinha de todo, até que me emprestaram um livro sobre a maternidade. Era um livro escrito por uma mãe americana. O livro era divertidíssimo e contava alguns dos episódios mais caricatos que aconteciam com ela. Curioso é que a maior parte deles eram coisas deste género. Percebi que não estava sozinha e que algures do outro lado do Atlântico uma mãe também não “jogava com o baralho todo”.
 

Adeus que nos acorda para a vida

Hoje despedimo-nos de um familiar. Um cancro roubo-lhe a vida por cá cedo de mais. Os filhos estavam aparentemente conformados. Sentiram de perto a dor do pai na fase final da doença. Era demasiado doloroso e talvez por isso sentissem que ter partido foi o “melhor”. Foi o fim do sofrimento que lhe consumia a vida e a alma.

O filho tem apenas 8/9 anos. Chegou seguro, vestido com toda a formalidade embora a sua tenra idade. Foi assim que o pai lhe ensinou. Quis ser forte. Levantava-se firmemente sempre que a cerimónia exigia, olhava para a mãe e para a irmã com carinho e demonstrava-lhes força. Até que… o sino toca a repique e aparecem os homens que vão levar o pai até o “chão sagrado” (como descreveu o padre). Creio que aí ele tomou consciência da realidade. Foi como se tivesse acordado para a realidade. Uma realidade violenta. O pai ia desaparecer para sempre, e talvez ele não estivesse ciente, nem preparado para isso. Chorou e chamava baixinho “papá, papá”, como suplicando para ele acordar.

Talvez nunca tenha assistido a um enterro, por isso quando depositaram o pai na sepultura e taparam com terra, indignou-se e tentou demover os homens. A família afastou-o, abraçou-o e confortou-o, mas nada aliviava aquela dor. Saiu em lágrimas nos braços dos familiares.

É nestas alturas que percebemos que somos imortais. Que tudo terminará inevitavelmente.

Para quê fazer planos para o futuro, se o nosso futuro pode terminar já amanhã? Devemos sim fazer o bem todos os dias, e se hoje conseguirmos levantar os olhos do nosso umbigo e olhar à nossa volta, talvez estejamos a fazer o que a vida merece… que se faça sempre o bem!

Homens sozinhos em casa #1

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Regresso ao trabalho depois das férias de Verão.

Os rapazes ficam por casa entregues uns aos outros. Fui trabalhar descansada. O Zé é calmo e desenrascado no que toca aos miúdos. No entanto, não consegue fazer mais nada além de tomar conta deles. Pedir alguma coisa simples, como estender uma máquina de roupa, é impensável, não consegue. Por isso, já nem peço nada.

Hoje, a meio da tarde ligo a perguntar se está tudo bem. Pelos vistos estava, mas o que ouço são queixas. “Oh pah, o Dinis está impossível, só faz asneiras e está sempre a bater ao Martim…” Já o Dinis fazia queixas do pai “ Oh mãe, o pai não me dá as bolachas dos peixinhos” Ao fundo ainda ouvia o Martim a “palrear” como se quisesse participar com as suas queixas também. Estava lindo aquilo lá por casa, estava!

Desliguei descansada. O pai ia dar conta do recado.

Chego a casa depois do trabalho e encontro os três bem-dispostos. Percebi que tinha razão: o pai deu conta do recado. Mas a casa, coitadinha, estava com aspecto de ter passado um tornado lá…Estive tentada a arrumar tudo, mas eles vão estar os próximos dias sozinhos cá por casa. Pode ser que lhes dê para limpar e arrumar a casa 

 

Regressar a casa

Admito, o melhor das férias é regressar a casa.

Não é que não valorize as férias. Agradeço todos os dias a oportunidade de ter um dinheirinho extra para passar 5 dias fora da nossa casa de todos os dias. De poder trocar as idas ao parque pela praia, os legos pelas construções na areia, as sobremesas de fruta pelos gelados, a televisão pelas caminhadas no calçadão… Sabe bem. Mas gosto tanto de regressar à casa onde posso andar de luzes apagadas sem correr o risco de bater contra uma parede, de ter máquina de lavar, frigorifico onde cabe tudo, mudas de roupa suficientes para os miúdos e ir à varanda depois dos miúdos adormecerem.

É a nossa casa. A casa onde criamos a nossa família e onde todos os dias somos felizes.

É bom estar de volta.

Incêndios vs férias

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Os dias começam cedo. Dizem, com toda a razão, que a praia cansa, abre o apetite e nos faz ficar mais saudáveis. Confirmo tudo, mas o cansaço não significa mais horas de sono dos rapazes. Às 7h00 lá estão eles a pé prontos para mais um dia.

Os dias têm sido bons, mas por estes lados os incêndios têm fustigado floresta atrás de floresta. O sol acorda já encoberto pelo fumo dos fogos.

A brisa boa da praia mistura-se com o cheiro intenso a árvores queimadas. Passamos mais tempo a olhar para o céu, estupefactos pelos nuvens negras de fumo que cruzam o sol, do que a olhar para a praia.

O Dinis perguntava estes dias, porque há tantos incêndios… Não lhe soube responder. E na verdade, creio que ninguém conseguirá responder.

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