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Me Cookies and Milk

Me Cookies and Milk

#1 Como lidar com os diferentes tipos de colegas de trabalho

Nesta nova etapa profissional tenho o gosto de trabalhar com tantas e tão diferentes pessoas, que o meu dia-a-dia tornou-se ainda mais desafiante e interessante.

Estou a aprender a conhece-las, dar-me a conhecer e saber lidar com elas.

Hoje falo do tipo “espelho meu, espelho meu não há ninguém mais interessante do que eu!” Sim, a afirmação foi propositada porque este tipo pessoas não pergunta nada a ninguém. É senhor de um conhecimento absoluto sobre tudo, tem a vida mais interessante do mundo, é a pessoa mais directa à face da terra, e o ser mais espectacular em toda a galáxia. Obviamente tudo isto aos olhos dele e apenas dele, claro.

Na realidade este tipo de colega só quer mesmo os focos apontados para ele. Precisa de atenção. Precisa de se sentir o maior e não aceita que ninguém tenha uma vida mais interessante do que ele porque isso é tirar-lhe tempo de antena e protagonismo.

Como lidar com estes seres? Simples, basta sorrir.

Não vale a pena tentar participar em conversas com ele. Ele só quer fazer-se ouvir. Na verdade ele não está minimamente interessando em ti, nem tão pouco no que tens para dizer, por isso não vale a pena perder tempo a contar aquela história engraçada das últimas férias.

Não tentes também ignora-lo descaradamente. Ele sentir-se menosprezado pode acordar o colega tipo “não te metas comigo porque faço-te já a folha na empresa!”.

Não sugiro que se mostrem sempre super interessados nas histórias que ele tem para contar, ou nas simples tiradas que vai tendo ao longo do dia, isso era demasiado cruel para nós termos de fingir tanto, mas sempre que sentirem os olhos dele a procurar os vossos, respondam com um simples sorriso, ele vai sentir que conquistou a vossa atenção e vocês despacham a peça num instantinho.

Ah, já agora, sempre que ele estiver a falar da sua vida super, híper, mega interessante e a gabar-se da pessoa extraordinária que é, imaginem-no a bater contra uma porta de vidro, com papel higiénico colado nos sapatos e um pedaço de azeitona no meio dos dentes da frente. Garanto que vão olhar para ele a sorrir. Fica dica 

Recordar sem fotografias...

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Adoro fotografia e adoro fotografar. Há umas boas dezenas de cds e discos externos carregadinhos de fotografias cá por casa. Mas há cerca de 1 ano que deixei de fotografar tanto.

O meu fascínio pela fotografia não diminuiu. Fotografava tanto porque gostava e porque queria muito eternizar todos os momentos, mas aquilo que a lente captava não me chegava com todo sentimento e intensidade ao coração.

Não sou fotógrafa, não domino esta arte e talvez por isso não consiga o melhor dos dois mundos, fotografar e viver o momento.

Esta sexta-feira o meu “velhote” (pai)  foi homenageado pelos seus 35 anos dedicados ao teatro. Vestiu o fato, cortou o cabelo e lá foi ele, comovido e meio atordoado pelo gesto do director da companhia de teatro. Recebeu um galardão e dirigiu-se emocionado a uma sala cheia. A emoção cortou-lhe o discurso e nós ficamos ainda mais comovidos. Não tirei uma única fotografia aquele momento inédito na vida dele e nas nossas vidas. Hoje perguntaram-me estupefactos “tu não tiraste nenhuma fotografia?!?!” Até parece mentira, eu que ando sempre carregada com a máquina fotográfica não registei aquele momento.

Até parece mentira, mas preferi viver aquele momento sem uma objectiva a roubar-me a atenção.

O que eles não sabem, é que provavelmente recordarei por muito mais tempo aquele momento do que eles que o viveram atrás de um telemóvel.

Pessoas que ficam para sempre connosco

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Mudei de emprego de coração desfeito e em lágrimas. Ia deixar 7 anos de convivência com uma equipa extraordinária que se tornou numa segunda família. Gostava/gosto tanto deles que se pudesse adoptava-os a todos. 

Desde a minha saída que nunca mais consegui estar com eles. Embora insistissem para tomarmos um café nunca consegui responder positivamente. Só de me lembrar deles, desatava num pranto. Achei que mais tarde ou mais cedo me iam esquecer.

Na passada terça-feira fiz anos. Os miúdos tiveram consultas de rotina (Zé incluído ) basicamente as consultas começaram às 11h00 e terminaram às 20h00, pelo que não ia haver tempo para festa de aniversário.

Trabalhei todo dia quase sem me lembrar que fazia anos. À saída do escritório vejo a minha irmã e o meu sogrinho e mais atrás, escondidos, os meus antigos colegas de trabalho. Meu Deus, nem queria acreditar… Escusado será dizer que desatei num pranto tal que não consegui articular uma única palavra. Abracei um a um com todo carinho que me ia no coração. Despedi-me sem dizer uma palavra. As lágrimas falavam por mim e eles perceberam o que lhes quis dizer.

Quando cheguei a casa o Dinis estava triste porque eu não tive uma festa de anos com bolo e balões. Dizia-me com todo o carinho “Não fiques triste mamã, eu vou-te comprar uma prenda”. O que o Dinis não sabe é que a melhor prenda que temos é a família e as pessoas que ficam para sempre connosco. Por muitas voltas que a vida dê, há pessoas que ficam para sempre connosco...

Mas um dia ele vai perceber…

Música para os meus ouvidos

Eu sei que não podemos dizer “Ai e tal, eu odeio bacalhau e jamais comerei este peixinho amado pelos portugueses”, porque não tarda nada estamos a enfardar bacalhau com natas ao pequeno almoço e a comer pataniscas e bolinhos de bacalhau ao lanche … A vida dá tantas voltas, e hoje o que é uma certeza, amanhã torna-se facilmente numa dúvida.

Isto tudo para dizer que o Dinis mudou. Da boca do Dinis nunca saiu uma cantiga. Nem mesmo o atirei o pau ao gato. Não gostava de cantar, não achava piada nenhuma, e sempre que insistíamos para cantar recusava categoricamente. Há cerca de 2 dias que anda um Tony Carreira das músicas infantis.

Hoje enquanto regressávamos a casa, tentava acalmar o Martim com cantigas. O Dinis pediu que me calasse e ofereceu-se para ser ele a cantar… Fiquei admirada pela sua sugestão e – admito – aliviada (não sou propriamente um rouxinol).

Cantou o “marcha soldado…” com pequenas adaptações… Basicamente não é o “Francisco a dar sinal”, para o Dinis é a Anita. A palavra “acuda” é substituída por “apuda”. Ele não sabe o que significa “apuda” (nem nós), mas ele garante que a música é assim. E no fim desata a cantar “Portugal Allez, Portugal Allez”. Então, basicamente a música fica assim:

Marcha soldado, cabeça de papel
Quem não marchar direito vai preso para o quartel.
O quartel pegou fogo, ANITA dá sinal
APUDA, APUDA, APUDA a bandeira nacional. Ei Portugal!
Portugal allez, Portugal allez, Portugal allez… Oh Portugal Allez, Portugal allez…
(Deve ser influencia ainda do Europeu de futebol) 

A festa de anos do Dinis

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O Dinis fez 4 anos! A festa foi - creio - exactamente como ele tinha imaginado: bolo de chocolate, balões, muitos balões, os primos, avós e tias, prendas e batatas fritas 

A festa foi simples mas vivida intensamente pelo Dinis (e por nós). Chegou ao fim do dia a suar de tanto correr e saltar.

Adormeceu agarrado à pista que recebeu nos anos e ansioso por fazer bonecos na plasticina nova no dia seguinte.

Adormeceu poucos minutos após o termos deitado. Não quis histórias, porque talvez a melhor história que ele podia querer estava nos seus pensamentos e, fechando os olhos talvez a conseguisse prolongar noite dentro nos seus sonhos…

É simples a vida!

Personagens no trabalho #1

Isto de mudar de emprego “dói pa burro”. Não conhecemos ninguém, não sabemos em que podemos confiar, e aqueles que até parecem ser de confiança nos fazem duvidar, momentaneamente, se serão assim tão porreiros como aparentam.

A vida é uma selva. A vida empresarial é a amazónia no seu estado mais puro cruzada com o deserto de Atacama. Basicamente é um habitat muito difícil de se viver e com espécies muito características:

O famoso "Lambe-botas": É o típico funcionário que elogia a torto e a direito tudo o que o seus chefes fazem. É aquele que se ri de uma piada seca, mesmo que não a tenha compreendido, que adora Heavy Metal se o chefe de secção adorar, que vê a Casa dos Segredos se a Directora dos Recursos Humanos gostar, que é do Sporting para o Sub-chefe, do Benfica para o Director Financeiro, do Porto para o Administrador e tem uma costela da Académica para a mulher do Administrador.

O famoso “Ai se fosse comigo!”: Basicamente é o típico funcionário que ameaça fazer e acontecer tudo e a todos (nas suas costas). Quando lhe aparecem à frente encarna a personagem do “lambe botas”.

O famoso “Engraçadinho”: É aquele tipo que se acha demasiado bonito e inteligente e, se já não bastassem estas características, acha-se o gajo mais engraçado do galinheiro. Desata a gozar com toda gente, os “lambe-botas” riem-se e ele acha-se o maior. É o típico gajo que, com certeza, deve andar a toque de vassoura em casa, e usa as pessoas do trabalho para se sentir superior e super interessante.

O famoso “Desconfiado”: É aquele colega que fica a olhar para ti sem pestanejar quanto tiras café. Ouve com a cabeça inclinada e sobrolho franzido enquanto tu falas, mesmo que estejas apenas a dizer o teu nome.

O famoso “Scanner”: É um colega que quando chegas os olhos dele percorrem desde os teus pés até à tua cabeça sem pestanejar. Repara nas capas das sandálias que estão gastas até à cor do teu travessão que não combina com a cor do teu cabelo.

O famoso “Deita abaixo”: É aquele colega que se sente ameaçado pelo teu trabalho e desata a fazer comentários sobre a tua inexperiência na área e faz questão de relatar os teus erros a bom som para toda gente ouvir, sentindo-se assim melhor na sua insignificância.

E pronto, é isto. Felizmente estas espécies são facilmente detectadas pelo que não corro grande risco de ser mordia por alguma delas… Mas é melhor manter os olhos bem abertos. 

PS: Também há espécies muito boas por lá. Um dia falarei delas