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Me Cookies and Milk

Me Cookies and Milk

"Mereço mais porque sou licenciada"...

- És licenciada em…

- Nada. Não tenho nenhum curso superior.

(silêncio)

É este o momento em que aquela pessoa que conversava comigo passa a desconfiar das minhas capacidades profissionais.

Não frequentei nenhum curso superior. Não havia dinheiro e era preciso ajudar lá por casa. Havia uma proposta de trabalho em cima da mesa mal terminei o 12° ano e eu, felizmente, agarrei a oportunidade com toda a força…

Dei-me bem e comecei a interessar-me mais pelo trabalho do que pela ideia de um dia regressar à escola para frequentar um curso superior.

Durante este 15 anos de trabalho já perdi a conta do número de vezes que me perguntam qual a minha formação académica e, depois de ouvirem a resposta, ficarem em silêncio aparentemente desiludidos.

Fico com a sensação que perco a credibilidade sempre que digo que não tenho formação superior. Há quem torça literalmente o nariz, quem peça para falar com algum colega licenciado, quem me pergunte se não tive capacidades (intelectuais) para ir para a universidade, quem diga que não mereço um cargo superior porque não tenho formação académica à altura, entre outras tantas coisas mais.

Ficava revoltada sempre que alguém punha em causa todas as minhas capacidades só porque não tinha um certificado da universidade pendurado na parede do quarto. Tenho praticamente 15 anos de experiência profissional (bastante intensa e diversificada) e centenas de horas de formação, não chega? Pelos vistos, não!

Agora já aprendi a lidar com estas desconfianças e com tanta estupidez, vale-me o curso superior de “relacionamento interpessoal com pessoas ridiculamente egocêntricas” que a escola da vida me está a dar…

Termino com a “conversa” que deu o mote a este desabafo:

- Já vistes, a Margarida só ganha 600€…

- Eu também recebo isso…

- Tá bem, mas ela é licenciada e não é justo...

A Margarida trabalha há 2 anos, eu há 15, fazemos exatamente as mesmas coisas, com o mesmo horário e responsabilidades, mas ela é licenciada e eu não, e por isso, apenas por isso, ela merece muito mais…

 

 

 

2017 vai pelo mesmo caminho de 2016… intenso!

Começámos o ano com a mudança de carro (que temos sérias dúvidas se foi uma boa troca), o Martim a brindar o primeiro ano de vida com uma bronquiolite, o Dinis a perguntar todos os dias quando vamos para a nossa casa e a fazer birras dia sim, dia sim, duas paragens de digestão, e uma nova mudança de emprego…

Lá vou eu para uma nova aventura profissional… Dentro de 2 semanas deixo este trabalho e inicio o novo projeto numa “casa” que conheço. Vou puder voltar a ter oportunidade de ir a consultas com os miúdos, ficar em casa quando fizerem anos, chegar 5 minutos atrasada se for necessário, ouvir música, comer na secretária, estar disponível para a famíla...

Hoje uma colega ouviu dizer que ia embora. Disse-me que tinha pena e que nunca tinha conhecido alguém como eu… “És espetacular e nunca conheci aqui alguém com tantas capacidades como tu”... (uma exagerada esta minha colega )

Fiquei incrédula, sem jeito e sem palavras... Com ar meio parvo só lhe respondi "ó que exagero..." Ela cortou-me logo a palavra e disse com um ar sério que não estava a exagerar. Agradeci-lhe as palavras e saí contemplamente “atordoada”.

Bolas vida, obrigada!

 

 

A pressão de ter um filho no percentil 95

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“O Martim já nasceu com menos 1 centímetros que o “normal”, isso já é indicativo que será, provavelmente, um bebé sempre para o mais pequenino… Mas ó mãe, nós não temos de ser todos grandes, pois não? Por isso, o Martim é um bebé perfeitamente normal e saudável, mas assim para o mais pequenino”. Foi esta a resposta do pediatra na primeira consulta do Martim quando lhe perguntei se era “normal” o Martim estar “apenas” no percentil 15.

O Dinis tinha tantas dobrinhas, andava sempre na linha do percentil 95, comia que era uma maravilha e isso deixava-nos, a nós pais, orgulhosos e descansados. Gabávamo-nos do seu percentil como se estivéssemos a criar o super homem. Enfim…

Agora temos o Martim no percentil 15 e na última consulta na altura caiu para o 3. Caraças, os pais são os mesmos, a gravidez foi +/- semelhante, engordei +/- os mesmos quilos, não era suposto o Martim ser um bebé “badochinha” como o irmão? A resposta é NÃO!

“Não há 2 pessoas iguais, nem mesmo os irmãos. Olhe para a sua casa, sois 3 irmãs e todas diferentes… bastante diferentes…” – disse-me o médico perante a minha insistência sobre a “normalidade” do percentil do Martim. E o médico tem toda razão.

Na verdade nunca me preocupei com o percentil do Martim até ser pressionada insistentemente para dar suplemento ao miúdo para que engordasse. Nunca cedi a esta pressão, mas a certa altura até eu comecei a duvidar se o seu crescimento era normal.

Hoje as conversas com outras mães são basicamente a ouvi-las gabar sobre os seus super bebés que estão, e alguns até passam, no percentil 95. Falam com orgulho e com alguma vaidade. Falam como eu falava do Dinis...

Sempre que perguntam pelo desenvolvimento do Martim respondo sempre que está um máximo, lindo e tão fofo que só apetece enche-lo de beijos… Sorriem mas preciso de trocar essa descrição do desenvolvimento por “percentis”… Quando respondo, é vê-las a ficar estupefactas como se estivesse a dizer uma anormalidade… Mas não estou. O Martim é um bebé perfeitamente normal mas, como diz o Dinis, assim um bocadinho mais para o “pisquinho”

 

 

Chegou o dia...

Chegou o dia em que percebemos que a cria mais velha está a crescer...

- Correu tudo bem no colégio Dinis?

- Correu mãe, mas eu chatiei-me com o João?

- Porquê?

- Porque ele meteu-se à frente da "pisquinha" e era eu que estava à frente dela...

- E porque ficaste zangado por ele se meter à frente dela?

- Porque eu queria estar à beira da "pisquinha".

- A "pisquinha" é a tua namorada?

- É mãe.

sorri

Primeiro aniversário

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Sabes Martim, a festa do teu primeiro aniversário não foi exactamente como imaginei.

Ora bem, primeiro, na véspera, arranjaste uma bronquiolite. Assim do nada, sem sintomas que fizessem prever este diagnóstico. Achei apenas que puxavas muito para respirar, decidi levar-te ao médico e pronto saímos de lá com a bronquiolite.

Passei as 2 semanas antes a tentar convencer os avós a fazermos a festa em casa. Por eles tínhamos ido ao restaurante. Mas crianças e restaurantes não combinam, pelo que até poucos dias antes do teu aniversário andei a choramingar para que fosse em casa a festa.

Os teus padrinhos foram a Lisboa ver o cirque de soleil, a avó, assim como ¾ da população Portuguesa, estava com uma gripe daquelas, e o resto dos poucos convidados estavam assim também para o nauseados… Resumindo a festa foi uma grande animação. Começava numa ponta a falar de gripes e acabava na outra a falar do Sporting… só desgraças, enfim.

O teu bolo de aniversário ia ser feito por uma colega que faz bolos deliciosos e bonitos. Na véspera foi surpreendida pelo namorado com um fim de semana romântico e lá se foi a encomenda do bolo. Mentalizei-me que tinha de ser eu a faze-lo (que responsabilidade) até que tive a ideia de o fazer com o Dinis. Não ia ficar super delicioso mas pelo menos íamo-nos divertir a faze-lo. Embora tivesse suplicado à avó para não o fazer, ela apanhou-nos fora de casa e fez o bolo. Eu fiquei triste, o Dinis chateado e o pai aborrecido por eu ter ficado triste e o Dinis chateado. Uma animação como podes ver.

Durante o lanche o Dinis fez 500 birras, o que dava uma média de 2 birras por segundo. Lanchámos, cantámos os parabéns, arrumámos a loiça e ala que se faz tarde… A festa acabou cedo, tu estiveste sempre feliz e nós ficamos felizes por te ver assim, porque pelo resto… bem, não foi a festa que imaginei para ti, mas isso pouco importa… Comemoramo-la juntos e isso é o mais importante.

Há um ano...

Foi há 1 ano que regressei a casa com o Martim. Assim que abrimos a porta lembro-me de respirar fundo e pedir forças para conseguir criar aquela cria.

O Martim tinha a fralda cheia, por isso os sacos foram deixados à sorte no chão, apressei-me para lhe troca a fralda e pedi ao pai que ficasse a olhar um bocadinho por ele enquanto a levava ao lixo. Fui para a casa de banho e chorei durante largos minutos. Estava em pânico. Cheia de dúvidas (que ainda tenho) sobre se conseguia tomar conta do Martim e continuar a ser  mãe que o Dinis precisava. Chorei essa noite e ainda choro com tantas dúvidas e medos.

O tempo passou e o Martim fez um ano no passado domingo. Não posso dizer que o tempo passou a correr, porque não passou. Vivi cada dia deste último ano intensamente. E isso faz com que tenha a noção do tempo e o "sinta" dia após dia.

Hoje o Martim já não consegue dormir no meu peito todo esticadinho, nem faz sestas no fim de cada mamada. Hoje o Martim adormece com a cabeça sobre o meu peito e perninhas dobradas. Hoje sinto exactamente o mesmo que senti há um ano, um amor que não se explica e insegurança de se tenho tudo que preciso para cuidar dele como ele merece.   

 

Que tal dar ouvidos ao planeta?

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Na televisão anuncia-se a chegada de um frente fria. Passam recomendações para “sobreviver” ao frio. Entrevistam alguns habitantes do interior, questionando-os como se estão a preparar para aguentar temperaturas tão baixas. Na rádio também se fala sobre o mesmo. Lá pela empresa, no intervalo para o café, também falavam sobre o assunto.

Acredito mesmo que venham aí dias muito frios, mas será que este pessoal sabe que estamos no inverno? Não quero ser desmancha prazeres, mas este frio que se anuncia é absolutamente normal. Não é normal, e isso devia preocupar-nos, este calor que temos tido…

O planeta está a pedir socorro e nós não estamos não queremos ouvir…

Uma especie de almoço de Natal

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Sábado passado tive o primeiro convívio com os novos colegas de trabalho. Passei de jantares com 30 pessoas, para um almoço de Reis com 690 pessoas (só da região Norte).

Fiquei arrebatada com a dimensão desta empresa. Não que já não soubesse da sua dimensão, mas dar de caras com aquele mar de gente é a constatação de que somos “mais que as mães” e eu acho que não estava preparada para isso.

Os colegas de departamento estavam pouco (para não dizer nada) interessados em me ajudar a sentir integrada, em fazer alguma coisa para que não me sentisse perdida. Vou para o local do almoço sozinha, depois de me colar ao carro de uma colega. Só assim consegui lá chegar, porque caso contrário ainda hoje andava atrás do restaurante… (nasci com a bússola interna avariada…acontece). Tive dificuldade em arranjar um estacionamento e por isso quando me consegui desenrascar já a minha colega, que me deixou colar atrás dela, tinha entrado para almoçar.

Entrei sozinha, completamente perdida e desorientada. Não via caras conhecidas nem alguém que estivesse disponível para me deixar partilhar mesa. Por milagre encontrei a colega que já falei atrás. Disse-me para me sentar na mesa que tinha outros colegas de departamento, na mesa dela já não havia lugares. Pedi licença para me sentar, e lá me deixaram.

Tentei disfarçar o embaraço e lancei-me que nem um lobo esfomeado à comida. Um colega reclama que comi o último rissol. Sorrio. Ele não. Percebi que estava mesmo a falar a sério e engulo o resto de rissol que tinha na boca a medo. Na verdade, apetecia-me cuspi-lo para cima dele, mas não me pareceu de bom tom.

Depois, entre os intervalos dos pratos, era ver os modelitos a desfilar em frente à mesa dos patrões. Este pessoal gosta mesmo de dar nas vistas, e vale tudo para chamar à atenção … Eu, admito, diverti-me bastante a vê-los andar por ali a laurear a pevide…

Era vê-los a entrar de gravata e ao fim de 2 horas a gravata subia para a testa e os primeiros 3 botões da camisa abriam-se e deixavam aquela penugem do peito apanhar ar fresco…

Elas entravam seguras de saltos altos, lábios pintados, vestidos engomados e cabelos impecavelmente arranjados. Ao fim de 2 horas os saltos davam lugar a umas sabrinas, as meias tinham mais foguetes que a passagem de ano na Madeira e o batom já tinha sido comido juntamente com os rissóis...

Basicamente foi o meu entretimento neste almoço. Não havia convites para ir lá fora apanhar ar nem ninguém que metesse conversa contigo ou que desse margem para meter conversa com eles, por isso, diverti-me a observar…

E pronto, havia tanto para dizer deste almoço, mas fico-me pela constatação de que definitivamente os meus colegas querem lá saber de mim e que o vinho é muito bonito…

Partilhar casa - a saga Parte I

Tens o miúdo mais novo no quarto com o pai, quase quase a dormir. Estás com o mais velho noutro quarto a tenta-lo convencer que precisa de dormir e ouves alguém a gritar:

-ZÉ, Ó ZÉ…

Levantaste a correr porque só pode ter acontecido alguma coisa muito grave para teres a avó aos gritos no piso de baixo a chamar pelo Zé, sabendo ela que estamos a tentar adormecer as crias…

Meia atordoada corres em direção do vão de escadas e perguntas a medo:

- O que aconteceu?!?

Resposta:

- O Zé desligou as luzes lá de fora?

Só tenho a dizer “ que sa lixem as luzes…”

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