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Me Cookies and Milk

Me Cookies and Milk

A avó Lola

A avó Lola é a pessoa mais bem-disposta que conheço e capaz de fazer e dizer as coisas mais inusitadas que possamos imaginar.
Todos os dias vamos ao café. Parece uma rotina sem grande animação, mas enganam-se. Aquela mulher tem a capacidade de todos os dias dizer ou fazer uma proeza que nos deixa de lágrimas nos olhos de tão bem-dispostas que ficamos.

É a pessoa de sorriso mais fácil que conheço. Tem um sermão ou elogio na ponta da língua. Tem opinião para tudo. É a pessoa mais tolerante e com maior dom para perdoar. É incapaz de fazer mal e partilha tudo.

Foi quem esteve e está sempre ao meu lado. Que sofre com as nossas dores e que diz sempre "amanhã vai ser um dia melhor". 

É a vossa avó, e vocês nem imaginam a sorte que tendes por tê-la na vossa vida.

Cenas estranhas de uma mãe - episódio 1

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Eu tenho cá para mim que o efeito slow motion nasceu quando um pai, que dava toques em vídeo, observou a sua esposa, mãe dos seus filhos, a tentar pisgar-se dos miúdos sem que eles se apercebessem, depois de os adormecer.

Nestas noites mais difíceis com o Martim, é deita-lo vezes sem conta e quando acalma um bocadinho, dando a sensação que já está a dormir, saio de fininho, devagarinho, pé ante pé, quase de joelhos até encontrar a cama. Coloco uma mão na cama, depois a outra, um joelho, e depois o outro joelho (que imagem bonita…) depois começo a tombar devagarinho para o lado até ficar deitada. Se até aqui correr bem, arrasto-me até à cabeceira da cama para deitar a cabeça na almofada e voilá, é dormir mais 1 horinha até a próxima sessão de choro.

Coisas que talvez não deva fazer em conjunto

Com os rapazes nesta fase tão gira (esgotante e exigente) onde todos os dias há uma novidade, acordamos que nem miúdos na manhã de Natal  ansiosos por saber o que o Pai Natal nos deixou no sapatinho. No nosso caso é a tentar adivinhar qual a surpresa que os rapazes nos vão presenciar nesse dia. 

Ora bem, o dia estava tranquilo, com as gracinhas, mimos e birras do costume, quando decido dar banho a ambos ao mesmo tempo. Sento o Martim na banheira, coloco o Dinis dentro da banheira e peço-lhe que se sente, viro-me para ir buscar o gel de banho quando ouço o Dinis:

— Mãe, mãe preciso de fazer xixi...

Viro-me de imediato para ele para o tirar da banheira quando...

Percebo que é tarde demais... já estava a fazer xixi na cabeça do Martim.

Posto isto,  só me resta acrescentar que lavei vigorosamente a cabeça do Martim - várias vezes...

O que acontece aos homens maus?

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- Mãe, estas pessoas moram no nosso planeta?

Tínhamos dado o telemóvel ao Dinis para ele se distrair a ver os vídeos que tanto gosta e assim sabermos mais sobre mais um ato louco desta humanidade, o atentado em Barcelona.

O Dinis tem essa particularidade, já o devíamos saber: ouvidos num lado, olhos noutro. Foi o que aconteceu.

Embora estivesse a ver os vídeos, estava a ouvir tudo que estava a ser relatado na televisão. Ouviu falar dos homens que atropelaram deliberadamente centenas de pessoas e que assim mataram 13. Estava confuso sobre tal barbaridade. Estava ele e nós.

Quando nos perguntou assustado se estes homens moravam no nosso planeta, hesitei. Contar ou não a verdade a uma criança de 4 anos amedrontada? Disse-lhe a verdade, que sim, que estes homens moram no nosso planeta, mas que não se preocupasse porque os nossos super heróis, a polícia, nos iriam proteger.

Insistiu assustado:

- Tens a certeza mãe, eles não moram em Marte, moram mesmo no nosso planeta? Olha que se calhar moram em Marte…

Ele estava mesmo assustado, mas por fracção de segundos, voltei a reconsiderar contar ou não a verdade. Mantive a posição, contar a verdade.

Mostrei-lhe as imagens da polícia a proteger as pessoas e disse-lhe para não se preocupar ou ter medo porque o amor prevalecerá e o bem ganhará sempre.

E os maus... esses a polícia apanha e manda para Marte!

Visita ao SeaLife

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Há algum tempo que tínhamos prometido ao Dinis que o levávamos a ver os peixes num aquário gigante. Contávamos ir ao oceanário, mas a viagem com o Martim-anti-viagens-de-carro, mais o preço de deslocação, mais este calor infernal, fez-nos desistir. Ficamos pelo plano B, o Sealife.

E às vezes o plano B não fica nada atrás do plano original… foi o caso.

Saímos apenas quando os rapazes acordaram. Tínhamos apenas 1 hora de viagem de carro, caso o pai não se perdesse, pelo que deixámos os rapazes dormir o que quisessem. Como é costume, eles são solidários com as galinhas, e acordaram bem cedinho.

A viagem não correu nada mal. O pai não se perdeu (obrigada Meo Drive), o Martim só gritou ¼ da viagem (obrigada Panda e Caricas) e o Dinis só perguntou 10 vezes se faltava muito. Tudo impecável!

Os bilhetes não são muito baratos mas, felizmente, tivemos a surpresa do facto de ser associado do Montepio dar desconto. Lá entramos com a carteira menos “depenada” do que tínhamos previsto e os rapazes ficaram histéricos logo no primeiro aquário (no total são 31, imaginem o histerismo que foi esta visita).

A visita foi maravilhosa. Eu fiquei encantada, o pai também, e a avó, ainda agora, não acredita que os peixes que lá estavam eram verdadeiros. Dizia ao longo da visita que era impossível haver peixes tão bonitos, pelo que aquilo só podia ser “a fingir”. Nós rimo-nos, alguns dos visitantes olhavam-na com estranheza e o avô mandava-a calar para não passar vergonhas.

A visita foi tão boa, até… chegarmos à loja. A reacção do Dinis foi igual ao momento em que viu a tartaruga gigante, olhos esbugalhados e sorriso de orelha-a-orelha. Até lhe dizer: “lamento Dinis, não há lembranças”. Bem foi berreiro pegado com direito a atiranço para o meio da loja. A menina da loja ofereceu-lhe uma medalha (embaixador do sea life) que oferecia a todos os meninos. Ele no meio daquele berreiro nem percebeu o que aquilo era, pelo que aproveitei para lhe dizer que tinha ganho a medalha da maior birra do Sea Life. Ficou desconfiado a olhar para mim, e admito (não me crucifiquem) que até agora ainda não lhe disse a verdade.

Birras há parte, até porque fazem parte, foi um momento feliz em família, e não podia estar mais agradecida por termos oportunidade de o viver.

 

Regresso das férias

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Nos pés já não há areia que teima em ficar mesmo depois do banho. Já não ouvimos as gaivotas que anunciam mais um dia de vento (gaivotas em terra, tempestade no mar). Não fomos tomar café e comer o crepe. Não vestimos os casacos porque estava um leve brisa do mar. Já não sentimos o cheiro do mar nem ouvimos o barulho das ondas. Já terminaram as férias na praia. Voltamos à casa temporária ansiosos por voltarmos a estar assim outra vez, juntos apenas os quatro.

Adormecemos felizes pela dádiva de estarmos juntos e com a esperança que esse dia chegue em breve.

Até amanhã! 

#NossosRicosEmigrantes

Isto de estar rodeada por Portugueses emigrados em França é bem engraçado. É ouvi-los a falar Português e quando se aproxima alguém conhecido, por milagre, ganham sotaque francês e começam a ter "amnésia". Tipo " common se diz vancances em Portugal?!" Aiii são tão engraçados...

Mas às vezes por causa deste "problema" podem acontecer coisas inusitadas, como por exemplo neste diálogo que ouvimos no café.

(Imaginem a Portufrancesa a falar com sotaque)

- Boa tarde (diz o emprego de mesa)

- Deux cafes, un cheiô (escusado dizer quem disse isto :) )

- Dois cafés, um com cheirinho. (Traduz o empregado de mesa)

- Nãoooo

 

Meus queridos emigrantes, duas notas:

Aqui em Portugal, na escola, além de Português aprendemos outras línguas, mas, "infelizmente", nos planos curriculares ainda não introduziram o vosso idioma (Português com sotaque Francês);

Não culpem as pessoas por não vos entenderem, porque nós, na maioria, só compreendemos mesmo o Francês. Por isso, se souberem, falem Francês. ;)

Sejam bem-vindos!

 

Aquele passeio

Já aconteceu há alguns dias, mas há momentos que precisam mesmo de ficar registados para a posteridade.

O avô convenceu-nos a participar no passeio anual da antiga empresa onde trabalhou. Uma subida do rio Douro da Régua até Ponte D’Alva. A viagem começava às 9h00 e terminava às 17h30. Achei demais, e fiquei sempre na dúvida se seria uma boa ideia irmos com os miúdos tão pequenos metidos num barco durante tantas horas. O avô insistiu, e nós fomos.

Aiii rapazes, onde nos fomos meter…

Eram 5h00 vesti os rapazes ainda a dormir. Acordaram quando peguei neles e estavam tão bem-dispostos. Impecável, isto vai correr bem, pensei eu… claramente precipitei-me.

Chegamos à camioneta e começa o filme. Ora bem, havia uma senhora a reclamar efusivamente porque não queria trocar de autocarro, outra que não queria ir no único lugar que estava livre porque não via bem para fora, o organizador aos gritos a fazer a chamada, os miúdos pávidos a ver aquelas cenas todas a acontecer ao mesmo tempo…

Acaba-se a gritaria e começa o Martim a dar espetáculo. Estava com sono e não encontrava posição para dormir. Ao fim de 200 voltas e 30 minutos de choro lá adormeceu.

1 hora passada de camioneta e alguém pede ao motorista para meter um filme. Até aqui tudo bem, até começar a dar um filme erótico… Aiiii Deus ma livre. Era o Dinis a olhar para o monitor de boca aberta e olhos semicerrados a tentar perceber o que era aquilo e eu a pedir efusivamente ao motorista para tirar aquilo. Ufaaa, fomos a tempo antes de entrar na parte mais “pesada” e ver-me obrigada a responder às perguntas do Dinis.

Chegámos ao barco e os avós acham uma grande ideia sentarmo-nos logo na primeira mesa que apareceu à frente. Boa, ficamos mesmo debaixo do ar condicionado.

Sentados assistimos a mais um espetáculo de reclamações e gritaria porque havia famílias que não tinham lugares suficientes para se sentarem juntas.

Resolvido o problema o barco arranca e decidimos subir para relaxar e ver a paisagem no topo do barco. Não conseguimos sequer sair… Era tanta gente naquele barco aceder ao exterior do barco ficou-se por uma miragem.

Almoçámos, os rapazes sempre a correr de um lado para o outra, e a bater contra toda gente. Cansam-se, o Martim adormece o Dinis começa a aborrecer-se e ainda eram 13h30…

Chegámos finalmente a Ponte D’Alva, com toda gente a reclamar que eram muitas horas metidas num barco atafulhado. Mas meus amigos, se vocês soubessem o que tínhamos ainda pela frente guardavam energia para reclamar depois…

18h00 estávamos na camioneta para fazermos a viagem de regresso. Comecei a pensar que talvez a viagem de regresso não fosse tão rápida como me fizeram acreditar…

Estávamos apenas a 30 minutos, quando pufff. O ar condicionado de uma camioneta avaria. Crianças e idosos são distribuídos pelas restantes camionetas e isso significou levar o Martim e o Dinis ao colo o resto da viagem. E o resto da viagem é o quê?!? “Apenas” 5 horas de viagem com crianças cansadas, rabugentas e desesperadas. Elas e eu.

Não eram apenas os miúdos insuportáveis. Toda gente estava num estado de “panela de pressão” prestes a explodir. A viagem foi feita entre choro dos miúdos e reclamações dos adultos.

Quando chegamos a casa nem quis acreditar. Só me apetecia chorar de felicidade por aquela aventura ter terminado.

Hoje a avó disse que estavam a organizar um passeio a… Interrompia antes de terminar porque a minha resposta foi “Jamais avó, jamais!”

Aiii até estou cansada só de me lembrar daquele dia. Fica a experiência para, com aquelas condições, nunca mais repetir  ;)