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Me Cookies and Milk

Me Cookies and Milk

Mais uma voltinha, mais uma viagem…

Quando pensamos em locais que os miúdos adoram estar, o que nos ocorre? Parques infantis, casa dos avós (mais precisamente sentados em frente àquele armário que só tem guloseimas), casa de banho agarrados às nossas pernas, jardins zoológicos, festivais infantis, zona de brinquedos de um supermercado, poças de lama, à chuva, etc.

 

Pois é, os rapazes lá de casa também gostam imenso destes locais, mas a avaliar pelo tempo que temos estado nas urgências e farmácias, tenho cá para mim, que eles gostam mesmo é de salas de urgências.

 

Desde o dia 27 de setembro que não arredamos pé das urgências. Ora vai o Dinis com uma amigdalite, depois o Martim com uma otite, despois o Dinis com escarlatina, e agora o Martim não se querendo dar como vencido nesta competição “Eu vou mais às urgências que tu” decidiu arranjar alguma coisa que ainda não sei muito bem o que é.

 

Aii rapazes, façam birras para vos levar a passear de comboio, andar de bicicleta, correr descalços pelos campos infestados de gafanhotos, nadar no tanque lá da freguesia, subir às laranjeiras, na loucura até podemos ir a um concerto da Rute Marlene, sei lá, peçam qualquer coisa, menos andar nesta roda viva nas urgências. 

 

Por favor rapazes, agora muito a sério, deixem-se disso!

Penicilina e os seus soldados bons! #TiradasdoDinis

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 Com o Dinis de rabinho descoberto e já pronto para levar uma injeção de penicilina, decido explicar o que se vai passar aproveitando-me da inocência e fantasia de uma criança de 5 anos:

- Dinis a Srª Enfermeira vai ter de te dar uma pica. É rápido, mas vai doer um bocadinho, ok?

- Para que é a pica?

- Para matar esses bichinhos maus que estão na tua garganta.

- E como os matam?

- Simples, uns soldados bons, mas muito, muito pequeninos passam pela agulha e entram no teu corpo e matam os bichinhos maus.

- A sério? E o que levam os soldados para matar os bichinhos?

- Levam paus, gás pimenta, escudos, bombinhas, motas, entre outras coisas.

 

(A enfermeira dá-me sinal que vai dar a injeção. Respiro fundo, abraço o Dinis de maneira a que permaneça imóvel e zás…)

Gritos e mais gritos. Lágrimas, muitas lágrimas.

Chorou durante 5 minutos ainda incrédulo e assustado com o que se tinha passado.

 

Recompôs-se, olha para mim e diz:

- Cá para mim Mãe, eles também levaram canhões!

Querido condutor

Caro condutor que seguia atrás de mim nesta manhã de outono, 

 

A vida de quem anda na estrada é lixada. Sim, todos nós sentimos uma raiva imensa quando precisamos mesmo de avançar e o desgraçado do sinal corou assim que o carro que seguia à nossa frente passou. Mas sabe que mais, quando o semáforo passa a vermelho temos mesmo de parar. Eu sei, eu sei, a vida é muito injusta e aquele semáforo, cá para mim, estava a gozar com a sua cara e decidiu passar do verde para o amarelo e depois para vermelho assim num ato de provocação. 

 

Resta-me dizer-lhe que senti cada palavra de amor que conseguia ler nos seus lábios. Admito que por momentos me senti confusa, aqueles olhos arreguilados, e os gestos descontrolados fizeram-me pensar, momentaneamente, que me estava a mandar pó c%r#lho. Mas depois parei e pensei “eu parei no sinal vermelho, nem no amarelo foi” por isso com certeza da sua boca saíram palavras de incentivo a continuar a ser uma condutora exemplar que respeita as regras e dá o exemplo, e os vossos gestos complementavam as vossas palavras como quem dizia “Go miúda, és grande!”.


Obrigada querido condutor.

Cinzas

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Hoje acordámos cercados com uma neblina que nos confirmava que o que se passou na noite anterior afinal não foi um pesadelo.

Vocês rapazes pediram para ir passear. O pai não estava. Hesitei ir sozinha convosco, mas decidi ceder à vossa insistência. Caminhámos 20 metros até perceber que o fumo estava demasiado denso e que nos dificultava a respiração. Convenci-vos a irmos para casa jogar qualquer coisa. Vocês, estranhamente, sem birras, concordaram.

Fechámos as portas e ficámos por casa. Vocês ficaram a brincar a ver televisão completamente distantes do inferno que acontecia cá fora.

De vez em quando vinha cá fora na esperança que um milagre acontecesse. Saía com a fé que os incêndios tivessem extintos e as pessoas livres de perigo. Mas não aconteceu. Cada vez mais a mancha laranja das lavaredas ganhava dimensão. E tudo ao nosso redor parecia pequenino e frágil.

Deitei-vos. O fumo fazia-nos tossir esporadicamente. Imaginei a aflição daqueles que lutavam por salvar os seus bens. Por se salvarem. Era um aperto demasiado grande e desejei com todas as forças que chovesse depressa. Que a chuva chegasse e abafasse aquele inferno e as memórias horríveis que estava a construir.

Quando forem crescidos, ides perceber que o dia 15 de outubro foi o dia em que inferno desceu à terra. Uma vez mais a natureza (impulsionada ou não por gestos criminosos) mostrou quem manda.

Fabriquem as bombas atómicas que quiserem. Comprem aviões, submarinos, tanques de guerra, comprem tudo, mas tenham consciência que isso de nada vos vale qual a Natureza mostrar, assim como hoje, um bocadinho da sua força.

Agora, a internet traz-nos imagens que documentam este inferno. Traz-nos opiniões, conselhos, ultimatos, indignação, ódio, muito ódio. Tudo isto é odioso? É. Revolta-nos. Indigna-nos. Choca-nos. Mas no fim, temos de perceber que tudo isto acontece porque os nossos olhos estão vezes de mais a olhar para o mesmo sítio… o nosso umbigo. 

5 anos do Dinis

Vamos lá falar de expectativas e como elas, por norma, saem “furadas”.

É inevitável imaginar como será o dia de aniversário dos miúdos. Como vão reagir quando virem o bolo, presentes e balões. É tão inevitável como não corresponder de todo às nossas expectativas. Porquê?

Simples. Arranjam uma amigdalite na véspera, acordam maldispostos, as primas têm de sair mais cedo da festa, fazem fitas para comer, tropeçam em tudo, partem loiça, andam com a cabeça ao sol, ficam rabugentos com o cansaço: eles e nós.

No fim da festa, restam os presentes que vão animando os miúdos e a nossa dor de cabeça que nos recorda que foi um dia complicado.

A festa do Dinis foi como imaginei? Não, de todo! Mas estivemos todos juntos, mais ou menos rabugentos, lá estávamos. O Dinis tem a sorte e o privilégio de estar todos os dias connosco (e nós com ele) pelo que ontem apenas recordámos o dia em que nasceu, e agora, assim como no parto, a dor passa e fica o desejo de que, o que vier, seja ainda melhor.  E vai ser…