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Me Cookies and Milk

Me Cookies and Milk

Querido Pai Natal

Querido Pai Natal,

Obrigada por apareceres lá por casa. Com a tua idade, imagino que não seja fácil alombar com aquelas prendas todas, ouvir a gritaria dos miúdos (e dos graúdos que comeram mon chéri a mais), e fazer uma direta, mas olha, foi a vida que escolheste. Tem paciência.

 

Mas sabes, talvez seja altura de passares o testemunho… Não estou a dizer que estás velho, mas há alguns pormenores que já não prestas tanta atenção. Talvez seja do cansaço.

 

Tu até percebeste bem que prendas os rapazes queriam, mas depois trouxeste uns extras que dispensava com todo gosto. Eu pedi-te por acaso uma amigdalite na véspera de Natal?!? Não! Pedi-te uma gastroenterite para o Martim?! Não! Pedi uma rutura muscular para o Zé? Não! Então porque raio insistes em trazer coisas que não precisamos? Vens carregado, cansaste, gastas tempo a preparar estas coisas, e nós não queremos mesmo nada disto. A sério!

 

Se ouvisses todas as minhas orações, sabias que há apenas uma coisa que peço para todos, saúde, o resto nós arranjamos maneira de ter.

 

Por isso Pai Natal, para o ano, para nós e para ti só queremos que tragas saúde, ok?

 

Obrigada.

Alternativas aos doces de Natal? Hmmm, talvez não!

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Caros nutricionistas, dietistas, verduras dependentes, anti açucares, movimento todos pelo rabanete, pessoas super-hiper-mega saudáveis em geral

 

O Natal está à porta (IUPIIII) e todos os anos vocês relembram-nos as quantidades de açúcares que tem uma rabanada, quantos quilómetros temos de percorrer para desgastar meia filhó, quantos anos demoramos a desgastar todo bacalhau que enfardamos do Natal ao ano novo, a quantidade de gordura que têm aquelas migas de bacalhau que a nossa mãe faz, etc, etc. 

 

Mas vocês querem manter as tradições, e tirarmos o peso da consciência (e das ancas) por desejarmos comer todos os doces de Natal, por isso apresentam alternativas mais saudáveis aos típicos doces de natal. Chamam-lhe rabanada, mas a avaliar pela receita aquilo mais parece um nabo disfarçado de rabanada…

 

 Eu agradeço-vos de coração (e sem ironia) a vossa preocupação e sugestões, mas perdoem-me porque o Natal, pelo menos lá por casa, é família, e é a família a ingerir doses industriais de açúcar todos juntos e em paz.

 

Um doce Natal 😉

A vocês anjos que vestem batas brancas, obrigada.

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Já aqui tenho partilhado desabafos sobre as nossas idas para as urgências com os miúdos. E porque há sempre um sentimento que me avassala à saída, tenho mesmo de desabafar sobre ele - a gratidão!

Corro sempre para as urgências a dizer – mentalmente – palavrões e a me questionar porque me está sempre a acontecer aquilo… Porque raio os rapazes apanham todas as viroses que há num raio de 100 km? Porque não conseguem ter apenas a garganta inflamada sem que acabe numa amigdalite? Porque não têm apenas constipações, em vez de bronquiolites? Porque, porque, porque?

Mas eis que chego ao hospital e levo "duas bofetadas" bem assentes (e bem dadas) da realidade. Tenho 2 rapazes saudáveis que têm episódios pontuais de coisas “normais” dos miúdos e da época. E depois há aquelas crianças que têm estes episódios, mas também têm deficiências e limitações que tornam tudo tão mais difícil. É nessas alturas que olho para os rapazes, olho para o céu e pisco o olho como quem diz “esquece lá tudo que disse, eu sou mesmo parva! E Obrigada.”

E depois há aqueles anjos de batas brancas.

Felizmente tenho encontrado médicos que conseguem fazer uma consulta de sorriso nos lábios e que tratam os meus meninos por “príncipes”. E atenção, estou a falar do SNS.

Nesta última visita ao hospital, o Martim aguardava por uma ecografia e na sala amontoavam-se crianças com vómitos, diarreias, cansadas, fracas e resistentes a beber aquele soro. Era um cenário deplorável. As mães desesperadas por não conseguirem dar o soro aos filhos faziam fila à porta do consultório a pedir alternativas aos médicos. Elas impacientes, os miúdos irritados, e um ambiente muito tenso.

Quando ao fim de 3 horas chega o resultado da ecografia, entrámos e fomos recebidos com um “olá príncipe”. “Olá príncipe” a sério? Como consegue? Com aquele caos à porta, esperei tudo menos sorrisos e palavras simpáticas. Enganei-me. Ouvimos as recomendações e no fim só lhe consegui dizer “Obrigada e lamento”. Perguntou-me porque lamentava. Expliquei que me sentia mal por estar a tomar o tempo deles com questões menos graves, mas que perante os sintomas que o Martim apresentava não sabia o que fazer. Voltou-me a sorrir e disse-me “fez muito bem vir, até porque eu própria estava com dúvidas sobre o que o Martim tinha e por isso pedi a ecografia. Mas obrigada mãe, é bom ter mães com essa sensibilidade”.

Sorri-lhe e despedi-me com “espero não voltar a vê-la em breve!”

Percebeu a ironia e devolveu-me o sorriso com “Eu também não, era muito bom sinal”