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Me Cookies and Milk

Me Cookies and Milk

Experimentem fazer o bem

É o “dia das madrinhas” e eu ainda não tinha comprado nenhuma lembrança da praxe para lhes entregar. Fui de fugida ao centro. Procurei estacionamento, mas isto (sobretudo, por cá, na Semana Santa), é muito difícil. Vejo ao longe um arrumador de carros a fazer-me sinal. Penso “Raios, ainda por cima não tenho moedas”. Aceito, não aceito o lugar? Aceito! Esvazio da carteira todas as moedas que tenho e entrego-lhas. Quando as entrego percebo que, embora tenha aspeto de quem vai usar o dinheiro para comprar aquilo que será a sua morte, tinha um ar afável. Parecia inclusive envergonhado por estar naquela situação. Disse-lhe “se conseguir destrocar dinheiro, dou-te uma moeda quando regressar.” Sorriu-me e disse para levar um guarda-chuva porque ia precisar.

 

Corri ao centro. Comprei a prenda. Destroquei dinheiro e guardei uma moeda no bolso do casaco. Chovia muito quando regressei ao carro. O arrumador estava abrigado e não se dirigiu a mim para me cobrar a moeda. Abrandei ao passar por ele e chamei-o. Veio a correr, com um ar algo desconfiado. Entreguei-lhe a moeda. Ficou abismado a olhar para a moeda e sorriu. Sorriso meio confuso. Disse-lhe “eu tinha prometido”. Ainda a sorrir para a moeda, olhou para mim, apontou-me o dedo, abanava a cabeça em sinal de aprovação e de sorriso rasgado exclamou “tu cumpres as promessas! Obrigado.”

 

Cumpro. Cumpro sempre e acredito que tudo ficaria melhor se tentássemos, de vez em quando, fazer alguma coisa (por mais pequenina que fosse) que servisse de exemplo ou ajudasse a melhorar o dia de outra pessoa.

 

Façam o bem, sempre.

Chupeta, adio adieu aufiderzin goodbye!

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É oficial, o Martim deixou a chupeta.

Ora aqui está mais um tema que passavam a vida a chamar-me a atenção. “Então mãe, está na hora de tirar a chupeta ao Martim!”, “Ele já não precisa da chupeta!”, “Quanto mais tempo passa, pior vai ser!”, “Vai ficar com os dentes tortos!”, etc, etc, etc. A vocês, almas impiedosas, que são o supermodelo de mãe, que têm toda a experiência do mundo, que são aconselhadas pelos melhores pediatras do planeta, e leem tudo sobre desenvolvimento psíquico/motor/emocional/parental e coisa e tal, tenho apenas uma palavra a vos dirigir: CALEM-SE!

Quando dizem que está na hora de tirar a chupeta, digo-vos que talvez precisasses vocês de uma chupeta para não falarem do que não sabem.

Quando dizem que já não precisa, vocês conhecem o miúdo de onde? Quem passa as noites ao lado dele? Quem está com ele nas birras e nas “ites” e viroses todas que apanha, ah? Aqui esta menina, por isso, sim, ele precisou da chupeta para acalmar quando não percebia o que se estava a passar. Ainda hoje não percebe, mas já percebe o suficiente para procurar outro consolo que não seja a chupeta.

Quando dizem que quanto mais tempo passa, pior é, estão tão enganadinhas. Quanto mais tempo passa, melhor percebem as nossas instruções e mais facilmente percebem que estamos a “falar a sério”.

Quando dizem que vai ficar com os dentes tortos, nem imaginam a vontade que tenho em deixar os vossos dentes tortos.

Enfim.

Sabem mães, não tem mal nenhum darmos a nossa opinião, partilharmos a nossa experiência e até conselhos, mas façam-no de boa fé e com humildade. Há uma coisa que a vida me lembra todos os dias, que não vale a pena fazer planos, sofrer ou vibrar por antecipação. Não vale a pena stressar de véspera, nem cantar vitória, porque não vai corresponder à nossa visão inicial.

O Martim cortou a chupeta (numa brincadeira) há mais de uma semana. Pensei que seria a oportunidade perfeita para a deixar. Disse-lhe que estava estragada e que não havia chupetas à venda para meninos tão grandes (mesmo que só tenha 26 meses). Olhou para mim e tentou mamar nela. Não conseguiu. Pediu que a colasse. Disse que não dava e sugeri que a deitasse ao lixo. Assim o fez. À noite para adormecer pediu-a. Disse-lhe que a tinha estragado e que estava no lixo. Chorou baixinho a pedir a “peta” durante uns 45 minutos. Calma, era apenas uma espécie de lamento, não era choro com lágrimas, baba e ranho. Era quase meia noite e só queria dormir, mas não cedi a dar-lhe a chupeta e acabar com aquele lamento. No dia seguinte voltou a pedi-la. Contei-lhe a mesma história, e ao fim de 30 minutos já dormia. Ao 3º dia já nem a pediu. O fim de semana passado encontrou uma chupeta. Pegou nela e admirado disse “Oia uma peta!”. Por instinto respondi “que nojo, deita fora”, e ele assim o fez. 

E pronto, é isto! Sem grandes planos, sem pressões, nem muitas expectativas, seguimos, dia após dia, ao ritmo de cada um.

Estamos entendidos? 

Moda vs Sinceridade

Quem nunca viu dias e dias a fio aquelas calças tão giras na net a serem exibidas por bloggers carregadinhas de estilo, que finalmente trazem alguma esperança àquelas pessoas que querem ter as pernas livres daquelas calças justas que nos estrangulam os nervos e que revelam todas as curvas e contracurvas, que têm todo um aspeto cool mas discreto, e que de repente te aparecem à frente dos olhos a um preço acessível… Respiras fundo, procuras o teu número e achas ser impossível teres tanta sorte. Mas eis que no fundo aparece o teu número. Nem queres acreditar. Vais assim para o eufórico disfarçado para os provadores, vestes as calças e… olhas de um lado, olhas de outro, olhas para o Dinis e ele com ar meio desconfiado com tudo que se estava a passar, exclama “Pareces um palhaço!” 

(Houve lágrimas, mas não foram de tristeza ou deceção. Foram mesmo de tanto me rir com ele.)