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Me Cookies and Milk

Me Cookies and Milk

Não quero saber

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Sempre que me doía alguma coisa, aparecia uma mancha ou recebia as análises e não percebia algum valor, lá ia eu toda despachada onde? Ao médico?! Não! À internet claro! O diagnóstico era sempre o mesmo. Bolhinhas no corpo: Cancro. Dificuldades em dormir: Cancro. Cansaço: Cancro. Período desregulado: Cancro. Febre: Cancro. Nódoas de pêssego na roupa: Cancro…
Era isto a cada pesquisa. E o que se sucedia? Pânico e uma ansiedade imensurável.

No dia que recebi as análises e vi um dos valores muito abaixo dos mínimos “normais” fiquei em pânico até o dia da consulta que era apenas na semana seguinte. A minha querida internet apenas me apresentava além dos cancros, doenças incuráveis e morte certa. Chorei todas as noites até ao dia da consulta. Os valores eram realmente baixos e necessitava de ser seguida no hospital. “Mas calma, não vai ser nada de especial” disse-me a médica! Foi após este episódio que decidi que tinha de me proteger. Aquele estado permanente de ansiedade não fazia bem a ninguém, e eu precisava de saúde, tranquilidade e paz. Decidi que nunca mais queria saber nada a não ser pela boca de um médico a sério. Nunca mais consultei a internet para tentar apurar as causas daquelas bolhas ou do cocó mais duro dos rapazes. Se faço análises, levanto os resultados no dia da consulta e entrego-os diretamente ao médico. Se existir alguma coisa fora do normal, ele vai ajudar-me. 

Há mais de um ano que decidi tomar esta atitude. Sinto que foi a melhor coisa que fiz. Ainda não há diagnóstico para aqueles valores baixos que ainda teimam em não subir. Ainda estou a ser vigiada e ainda mais vigiada por causa da gravidez. Na última consulta o médico falou-me de algumas coisas que podem acontecer se se confirmar alguma das patologias mais graves. Não é nada de bom e, naturalmente, deixa-nos ansiosos. Mas sabem que mais? Não quero saber o que pode vir a acontecer. Não me digam nada que não seja esperança, tudo resto eu não quero saber. 

Se tiver a oportunidade desta bênção, vai acontecer uma coisa extraordinária: lá para o final do ano há mais um menino lá por casa. E isso é fenomenal e é a única coisa que eu quero realmente saber!

Ele há cada moda

Estou na sala de espera das urgências a aguardar consulta para o Martim, e és que sinto um mão a tocar-me no ombro e a dizer:

- Ó menina desculpe, mas este casaco é mesmo assim? – enquanto apontava para o meu casaco.

Voltou a insistir meia sem jeito.

- O seu casaco é mesmo assim, ou…

E é neste “ou” que percebi o que estava a insinuar aquela pobre mulher. O meu casaco tem as costuras por fora parecendo que está do avesso. E isso fez com que achasse que tinha o casaco ao contrário, e simpaticamente estava a alertar-me. 

Foi então que a interrompi, sorri-lhe e disse-lhe que sim, agradeci-lhe a atenção, mas era mesmo assim. Modas.

Meia envergonhada pediu desculpa e voltou a sentar-se. Creio que deve ter pensado “ele há cada moda, valha-me Deus…” E com razão 

Gosto desta “ousadia” que as pessoas mais velhas têm. De chamar à atenção para nosso bem. De tentarem incutir os valores do “seu tempo” e não recearem isso. Dalguma forma são como as crianças, genuínas e destemidas e isso faz-me admirar muito as pessoas mais velhas.

#TiradasDonaLola

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Quando penso e tento ter tento na língua e reduzir às piadas e controlar a ironia eis que olho para a minha mãe e percebo que não vale a pena… é genético!
A minha avó celebrou 95 anos (ah valente!) embora acamada a mulher é daquelas rija, que às vezes parece que vai ceder ao cansaço, mas lá volta recuperada e com mais força.

A minha avó mora com os meus pais. Ontem a minha mãe estava no jardim lá de casa e recebe uma chamada:

- Olá, está tudo bem?

- Sim, está…

- Olha, vou direta ao assunto: a tua sogra morreu?

- [silêncio] Tu não me digas?!? E eu aqui no jardim a plantar flores…

- Não morreu?! Disseram que até já estava na capela…

- A sério? Então foi pelo próprio pé e nem avisou que ia sair!


E pronto é isto lá por casa. O assunto era sério, mas os meus pais (sobretudo a minha mãe) têm a capacidade de apenas valorizar o que é realmente importante. Com tudo resto, brincam e ironizam mesmo que ninguém perceba!
É arriscado, nem sempre compreendido, mas eu gosto deste estado “leve/menos sério” que herdamos dos nossos pais.

 

É cedo para ir para a Escola?

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Este ano o Dinis vai para a escola. Não foi fácil a decisão. O Dinis ainda tem 5 anos, e por mim ficava mais um ano sem a pressão da escola, aqueles horários intermináveis, horas a fio confinados a uma sala, e um recreio tão pequeno para tanta imaginação e brincadeiras.

Além da opinião contrária do Pai e da Educadora, o Dinis já há algum tempo que falava que era o último ano no colégio e que em breve ia para a escola. Aproveitei o embalo dele, cedi à pressão, e decidi inscreve-lo.

Hoje fomos visitar a escola que, em principio, vai ser a segunda casa dele. Embora pequenina ficou muito assustado. Olhos vidrados e queixas de dores de barriga e outras mais que não conseguia identificar de onde vinham. Estava assustado. E eu também.

Cheguei ao colégio e desabafei com a Educadora a reação do Dinis. Voltou a partilhar a opinião dela. O Dinis é um menino muito tímido. Esse “problema” vou ter sempre. Este ano, para o ano seguinte e adiante. Posso optar por não o colocar este ano na escola, mas para o ano vou ter de lidar com ele. E o que é preferível? Este ano que tem a hipótese de ter alguns amigos na turma, ou para o ano sem qualquer amigo do colégio?

Convenço-me ainda meia contrariada que sim, talvez seja preferível este ano! Espero ter tomado a decisão certa!