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Me Cookies and Milk

Me Cookies and Milk

É isso que têm para me dizer?

Estás tu a caminho do colégio com os rapazes finalmente sentados e calados no banco de trás e decides dar um daqueles ralhetes sérios, sem sorrisos, sem palavras fofinhas, nem mas, nem meio mas…. Eles merecem ouvir toda a tua frustração de dias e dias de birras. São birras para acordar, para vestir, para comer, para sair de casa, para escolher um simples brinquedo para a curta viagem de casa ao colégio, até para entrar o carro se chateiam porque há sempre um que se lembra que tem de ser o primeiro a entrar. Tu aguentas dias e dias de birras sem te chatear, usas todo o teu jogo de cintura e poder de negociação e lá vão eles de pazes feitas e felizes para o colégio. Mas raios, mal acordo ouço nas notícias que esta semana vamos ter temperaturas acima dos 45 graus. Como querem que eu esteja bem-disposta? Como?!?  Arranco convosco ainda a remoerem um com o outro e eis que… CHEGA! Uso todo o meu vocabulário para vos demonstrar a minha frustração pelo vosso comportamento. Percebo que talvez não entendam tudo que digo porque são palavras que não estais tão habituados a ouvir, mas eu quero lá saber, eu preciso de desabafar. Estou eu concentrada e lançada naquele discurso, faço uma pausa para recuperar folgo e ganhar mais balanço e é nesse momento que ouço:

- Mãe, podes pôr a essa música mais alta?

Oi?! Como? Está aqui uma pessoa em terapia, a demonstrar toda a sua frustração sobre o vosso comportamento e o que têm para me dizer é isso?!

Respiro fundo, tento perceber qual era a música que está a dar e...riu-me com a coincidência, era a Ana Moura, Dia de Folga.

Talvez fosse isso que o Dinis me estivesse a tentar dizer (mesmo sem se aperceber), é só preciso de um dia de folga e tudo volta a ficar bem 

Melhor, já ficou tudo bem e só passaram uns minutos.

Cansaço?

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Tenho de dizer que me deixa um bocadinho nervosa quando alguém me diz que precisa de férias depois de passar o fim de semana num SPA e de ter estado de férias estilo dolce far niente há menos de um mês.

Não ponho em causa que estejam mesmo cansados, mas olhem para mim e percebam que não sou a melhor pessoa para vos compreender, quando a última vez que falhei ao trabalho foi para cuidar de um dos rapazes doente, que há cerca de 1 ano que não tiro férias, e a última vez que estive na praia foi em agosto passado.

Percebem porque é difícil demonstrar compaixão quando me falam de cansaço?

Eu ainda sou do tempo

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Eu sei que não é propriamente novidade o meu estado de graça, mas só temos direito a prioridade no atendimento na primeira gravidez? Eu sei, eu sei, gravidez não é doença, mas é normal neste tempo em que a gravidez é clara e não é confundível com um bom almoço de feijoada à transmontana, ninguém ter sugerido que passasse à frente na fila?

Olha, lá está esta a fazer-se de vitima. Queres usufruir do atendimento prioritário, pede!!
Se já estão a pensar isto, esqueçam! Isto não pretende ser uma queixa, mas mais uma preocupação sobre a falta de sensibilidade que tenho sentido.

Quando vou às compras levo, na maior parte das vezes, os rapazes comigo. Embora sejam pequeninos não são propriamente bebés de colo (embora o Martim ainda deite o barro à parede para ver se cola), por isso o facto de nunca ninguém me ter dado a vez na fila, pareceu-me aceitável.

Agora, há mais de um mês que a gravidez é clara, junto dois rapazes pequenos e, por norma, poucas compras e mesmo assim as pessoas olham, voltam a olhar, e continuam as suas vidas como se não tivessem visto nada? Ok, se tivesse 2 carrinhos de compras, acredito que ainda pensassem “porra, isto é coisa para demorar meia hora. Deixa lá disfarçar e fazer de conta que não me apercebi de nada!

Há cerca de 2 semanas fui de urgência às compras com ambos os rapazes. Dado o tamanho das filas nas caixas, como só tinha uma embalagem na mão, decidi ir para as caixas self-service (nem sei se é assim que se chamam). Estava a aguardar pela vez e eis que um casal passa à minha frente e vai para a caixa que tinha acabado de ficar livre. Fiquei surpreendida, chamei os rapazes que já iam disparados para a caixa, passou-me pela cabeça a palavra parvalhões, respirei fundo, percebi que eram mesmo parvos, e voltei a aguardar. Mas eis que a menina que estava a controlar as caixas os chama a atenção. “Desculpe, aquela senhora está primeiro.” Olham para ela, mas ignoram. A menina volta a insistir e ordena que me deem a vez não por estar grávida, mas porque estava primeiro. Senti que estavam capazes de me fuzilar, passei por eles em direção à caixa e entre dentes diziam coisas que não pareciam nada agradáveis. 2 minutos e estava despachada. Passei pela menina, agradeci-lhe segui a minha vida.

Ontem, embora sozinha, volto a encontrar uma fila gigante numa loja muito conhecida de roupa. Havia mais de 10 pessoas na fila e todas elas com peças suficientes para fazer 2 máquinas de roupa completas… Raios, eu só tenho 3 peças na mão, será que não há aquelas caixas tipo “para compras até 3 unidades”? Não há, por isso resta aguardar.

Reparo que as pessoas mais próximas à minha frente percebem que estou grávida. Olham entre si, mas não dizem nada. Voltam a olhar e eu faço questão de dar um jeito à blusa para que percebam que é mesmo gravidez e não uma bola de futebol que gamei na loja de desporto ao lado. Voltam a olhar entre si e não dizem nada. Penso “É hoje que alguém me vai dar a vez”. Voltam a olhar. Dou novo jeito à blusa e expiro num som típico de grávida que sofre com o calor. Voltam a ignorar. Desisto!

Saio da loja a pensar em todos estes episódios. É normal? É puro egoísmo? Desprezo? Inocência? Não sei! Mas se algum dia me virem e gentilmente me cederem a vez, fiquem a saber que vou agradecer e declinar (como o fiz nas outras gravidezes). Enquanto tiver uma gravidez sem riscos para o bebé e para a minha saúde vou esperar pela minha vez como sempre o fiz. Mas fiquem a saber que o vosso exemplo pode ser fundamental para a educação dos mesmos rapazes… Fica a dica!

Ai a festa de finalistas...

E essa festa de finalistas do Dinis que tal correu?

Ora bem, na véspera da festa o colégio comunica que o acesso ao auditório vai ser limitado ao número de lugares existentes. OK, tudo bem, tudo joia, mas não será melhor reservar alguns lugares para os pais e familiares próximos dos finalistas? Não! Tás parva? As pessoas sabem-se comportar e serão conscienciosas.

Hmmm, a ver vamos…

Ora bem, é lixado, mas esta menina volta a ter razão… 1 hora antes da festa começar estavam pessoas acampadas à entrada do auditório e não cediam 1 centímetro para dar passagem aos meninos finalistas. Havia um ambiente tão tenso que quando as portas se abriram assisti aquilo que acho ser mais próximo da abertura de portas para um concerto do Justin Bieber. Pessoas demasiado histéricas e focadas apenas num único objetivo… serem as primeiras a entrar aconteça o que acontecer. Aquela celebre citação “Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo”, aqui, seria ajustada para “pessoas no caminho? Cilindro-as todas, para ter lugar no auditório”.

Fiquei imóvel a olhar para todo aquele espetáculo, até que me sinto a ser levada por aquela multidão demasiado ansiosa e nervosa. Preocupada e ainda a tentar proteger-me daqueles loucos ouço um grito ao meu lado de uma mãe a dizer “PAROU! Está tudo maluco? Estão aqui pessoas de idade e uma grávida. AFASTEM-SE!” 2 segundos de pausa e… voltou tudo ao mesmo.

Lá consigo entrar e quando chego ao auditório constato que a maior parte dos lugares já estavam reservados.

Quem entrou em primeiro reservou dezenas de cadeiras para os seus familiares e amigos que, entretanto, iam chegar. Tomo consciência do circo que aquela festa se tinha tornado, do egoísmo daquelas pessoas, arranjo um lugar e aviso a minha família que nem valia a pena tentarem vir à festa. A festa de finalistas tinha sido tomada de assalto por aqueles loucos…

O que não tem solução, resolvido está, por isso, respiro fundo e decido desfrutar da festa. E consegui! O Dinis esteve tão, mas tão bem que tudo o resto foi esmagado pelo orgulho que me tomou ao longo da festa.

Parabéns Dinis és o maior!

Obrigada humanidade!

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Dinis e Martim, durante dias a fio acompanhámos as notícias com muita ansiedade e expectativa. 12 meninos e o seu treinador ficaram presos numa gruta que tinham entrado para explorar. Foi num país distante do nosso, na Tailândia, mas que sentimos como que se tivesse acontecido connosco, na nossa casa. 

Tu Dinis percebeste tudo que aconteceu. Perguntaste-me porque tinham entrado numa gruta, se nas grutas não há nada de interessante para ver e podem ser perigosas. Tens razão Dinis, mas talvez daqui a alguns anos esta consciência e pragmatismo que tens fique um bocadinho esmorecido e, fruto da idade, talvez queiras também fazer coisas mesmo correndo riscos.

Passámos 9 dias sem saber daquelas crianças, até que eis que chega uma noticia inesperada. Estão vivas e, dentro dos possíveis, com saúde.

Agora era preciso tira-las de lá. Tarefa difícil uma vez que a gruta ficou inundada, e aquelas crianças enfraquecidas nem nadar sabiam. Receamos o pior. Depois daquela esperança renascida quando as encontraram, podíamos estar prestes a perde-las e isso apertava-nos o coração…

Mas é aqui que fica um exemplo da magnitude do ser humano e que quero que vocês guardem. Ninguém baixou os braços. Começaram-se a estudar todas as formas para tirar aquelas crianças de lá. Avaliaram-se todos os riscos, estudou-se ao milímetro o percurso, chegaram de todo mundo ajudas, equipas especializadas, equipamento e muitas orações.

Acreditámos naqueles heróis, os que estavam encurralados há mais de 9 dias na gruta e naqueles que arriscavam a vida para os salvar. No domingo passado, saíram os primeiros meninos. Mas a operação era tão delicada que apenas conseguiam retirar 4 meninos por dia. Foram 3 dias ainda mais intensos. Vivemos agarrados aos canais de informação para tentar saber daquelas crianças. Saíram 1 a 1 e nós festejamos cada saída de esperança renovada, alivio, lágrimas e muita emoção. 

Hoje a operação está terminada. Somos invadidos com um alivio tremendo e uma gratidão imensurável por aqueles bravos que nunca desistiram.

Estes são os verdadeiros super-heróis. Não aparecem nos vossos livros de aventuras, mas irão perdurar nas nossas memórias eternamente e, espero, renovarão a esperança numa sociedade mais bondosa e grata. Pelo menos, assim espero...