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Me Cookies and Milk

Me Cookies and Milk

Crianças e a religião

Há cerca de 15 dias o Dinis teve a primeira sessão de catequese. Sou católica e praticante, mas isso não faz de mim uma pessoa capaz de explicar o que sinto em relação à religião, nem tão pouco encontrar respostas para as dúvidas pertinentes dele. A resposta “não te sei explicar, apenas sente-se” não é resposta para ele, e eu percebo-o tão bem. Apenas na fase adulta percebi o que é isto da fé e como ela pode ser confortante. Até lá fui à missa como o Dinis, inocente, sem perceber a mensagem e apenas com uma missão, não fazer barulho para não chatear a minha mãe!

No primeiro dia da catequese a catequista perguntou ao Dinis se conhecia Jesus, ao qual ele respondeu que não. Perguntou-lhe se queria ser amigo de Jesus. O Dinis encolheu os ombros e ficou com um ar confuso. Os colegas da catequese tentaram ajudá-lo a dar a resposta “obvia”. Acenavam com a cabeça para que dissesse que sim.Confuso respondeu “não sei”. 

E é aqui que a postura da catequista me surpreende e me deixa deveras orgulhosa. Disse-lhes. “O Dinis tem razão! Como podemos querer ser amigos de alguém que não conhecemos? Por isso Dinis, tens toda razão. Vamos conhecer Jesus, e depois logo decides se serão amigos.”

Haveria melhor resposta para dar a estes meninos? Não, assim está perfeita!

Crescimento, as conquistas mais intensas!

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O crescimento dos nossos filhos é um desafio constante, repleto de tantas alegrias e outras tantas incertezas e inseguranças.


Mas ao longo deste, ainda breve, crescimento dos rapazes há 3 momentos que me fazem vibrar intensamente e me dão vontade de correr pela casa com a camisola na cabeça e braços abertos que nem os jogadores de futebol… São eles:

Quando começam a andar: Que maravilha! Finalmente tornam-se autónomos para ir à sua vidinha caso estejam fartos de me estar a observar a tentar fazer alguma comida comestível. “Não queres estar aqui? Força, levanta-te e anda. Andor. Siga.” E eles lá vão.

Quando aprendem a fazer xixi e cocó no pote: São memoráveis aqueles saltos, high-five e palmas que ocorrem mal vislumbramos um xixizinho e cocózinho naquele pote. De salientar que o mesmo entusiasmo sente a nossa carteira.

E finalmente quando eles aprendem a assoar o nariz: Passámos meses a limpar aquele nariz com soro e água do mar para evitar que as secreções se acumulem e ganhem umas complicações respiratórias. Aquele ruido de ranho a subir de descer que nos mexe com o sistema nervoso e que só nos faz pensar em ir buscar pimenta à cozinha para lhes passar no nariz e pô-los a expirar… Saímos das consultas de urgência desanimados com mais um antibiótico e o desabafo do médico “se ele se soubesse assoar ajudava a não ganhar tantas infeções…” Saímos do consultório decididos a ensinar-lhes a assoarem-se, custe o que custar, mas a tarefa nunca é fácil. Connosco demorou cerca de 2 anos e meio até eles perceberem as nossas instruções e repetir aquilo que (ridiculamente) exemplificámos. Mas quando sai o primeiro ranhinho… a alegria é tanta que é capaz de nos fazer verter uma singela lágrima.

 

E pronto, são estas as 3 fases da vida destes pequenos que mais sentimos o sabor da vitória. 

 

Para quem pensou que ia referir momentos mais comuns, como dizer “mamã ou papá”, esqueçam lá isso. Não faço ideia se aquele balbuciar “mama” era efetivamente “mamã” ou queria mesmo a mama.

Façam um esforço

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População mundial em geral, por favor, tenham lá tento nos comentários ao aspeto das pessoas.

Se não vão dizer nada de agradável, então calem-se! Esta coisa de ser “muito frontal e dizer tudo que penso”, é muito bonita, faz-vos sentir genuínos, mas eu acho mesmo que quando é para dizer coisas negativas, que em nada vão mudar a vida da outra pessoa, e que (pior) deram opinião sem que a mesma vos tenha sido pedida, então fiquem a saber que vocês são uns broncos. Sim, uns broncos!

Pensem lá comigo, a não ser que vocês precisem de reprimir a autoestima da outra pessoa para se sentirem bem, ou para darem o exemplo de como ser um ser pleno e cheio de caráter (se isso acontece, esqueçam este post, vocês são doentes e precisam de ajuda…JÁ!), porque partilham a opinião?

 

“Bolas, estás mesmo gorda.” Não é um elogio, ponto! E mesmo que substituam “gorda” por “forte” as coisas não melhoram. 

“És tão branca” + cara de quem viu um cão a defecar em pleno passeio. Não é um elogio, ponto! 

“Esse corte faz-te parecer mais velha” Não é um elogio, ponto!

“Porque trocaste de óculos? Os outros ficavam-te MENOS MAL!” Não é um elogio, ponto!

“Estás com um ar acabado” Não é um elogio, ponto! Talvez a pessoa esteja com um ar cansado e precise de menos pessoas parvas e de mais ajuda e mimos.

 

Acho que já perceberam a ideia, certo?

 

Resumindo, não estou a pedir que mintam. Simplesmente não opinem se não vos pedirem opinião, e quando pedirem, e a mesma for negativa, tentem faze-lo de maneira a que não deixe a pessoa desanimada. Se não souberem como se faz, optem por ficar de bico calado, é fácil.

Se quiserem experimentar uma coisa extraordinária que nos faz sentir nas nuvens de tão bom que sabe, experimentem dar um elogio (sincero) a alguém.

Partilhem o bem, o menos bom dispensem.

 

PS: Se a pessoa estiver grávida, nem vale a pena dizer que comentários sobre o seu tamanho (seja grande ou pequeno) ou a cara de grávida, são proibidos ponto!

Eu não sei se estou preparada para ter um filho na escola.

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A vida passa, eles crescem, há ciclos que terminam, há novas descobertas, novos desafios, e todo mundo novo para se descobrir… é assim, é a vida!

Tenho de assumir que andava curiosa por perceber como seria esta fase da escola. Como nos íamos adaptar à nova rotina, quem ia colaborar mais nos trabalhos de casa, como iriamos motivar o Dinis a ir para a escola sem medo e feliz, se ia surgir logo uma empatia com a professora e com os pais dos outros meninos, etc…

Até agora a rotina está mais ou menos estável. O Dinis ainda motivado, o Martim ainda sem perceber que o Dinis não fica no colégio com ele e nós satisfeitos. Mas depois há todo um novo vocabulário e situações do dia a dia da escola que nós não sabemos muito bem gerir e explicar.

Mãe, os meninos do 4º ano dizem palavras feias quando jogam à bola.
[Admiração] A sério, que feio, não ligues e não repitas o que eles dizem!

Mãe, os meninos do 4º ano estão sempre a dizer “F#*)!/ da P+*%!
[Admiração] A sério, que feio, não ligues e não repitas o que eles dizem!

Mãe, os meninos do 4º ano começam aos gritos a dizer “Esta comida é uma m*rda, vai pó C#ra!#o aprender a cozinhar!”
[Admiração ++] A sério, que feio, não ligues e não repitas o que eles dizem!

Mãe, os meninos do 4º ano dizem que sou um falhado porque não sei jogar à bola.
[Admiração +++ Irritação] Eles não te conhecem, estão a mentir e isso não se diz a ninguém. Não acredites nem repitas o que eles dizem!

Mãe, os meninos do 4º ano arrancaram um tubo de água e a escola ficou sem água [Admiração +++++] A sério? Afasta-te desses meninos!

Por enquanto a ingenuidade do Dinis, e a nossa insistência para não repetir tais comportamentos têm sido suficientes, mas, pontualmente, já tem tiradas que nos “assustam”, e para as quais não estamos preparados nem habituados, tipo “e quê?!” “mas eu sou teu criado?!”


Ora bem, atendendo que estamos apenas na 3ª semana de aulas e ele já assistiu a todo um mundo novo e que eu não estava preparada para ele, sinceramente não sei como agir… Desvalorizar ou começar a pensar em ter uma conversa com a Professora para nos ajudar? Eis a questão.