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Me Cookies and Milk

Me Cookies and Milk

Adeus que nos acorda para a vida

Hoje despedimo-nos de um familiar. Um cancro roubo-lhe a vida por cá cedo de mais. Os filhos estavam aparentemente conformados. Sentiram de perto a dor do pai na fase final da doença. Era demasiado doloroso e talvez por isso sentissem que ter partido foi o “melhor”. Foi o fim do sofrimento que lhe consumia a vida e a alma.

O filho tem apenas 8/9 anos. Chegou seguro, vestido com toda a formalidade embora a sua tenra idade. Foi assim que o pai lhe ensinou. Quis ser forte. Levantava-se firmemente sempre que a cerimónia exigia, olhava para a mãe e para a irmã com carinho e demonstrava-lhes força. Até que… o sino toca a repique e aparecem os homens que vão levar o pai até o “chão sagrado” (como descreveu o padre). Creio que aí ele tomou consciência da realidade. Foi como se tivesse acordado para a realidade. Uma realidade violenta. O pai ia desaparecer para sempre, e talvez ele não estivesse ciente, nem preparado para isso. Chorou e chamava baixinho “papá, papá”, como suplicando para ele acordar.

Talvez nunca tenha assistido a um enterro, por isso quando depositaram o pai na sepultura e taparam com terra, indignou-se e tentou demover os homens. A família afastou-o, abraçou-o e confortou-o, mas nada aliviava aquela dor. Saiu em lágrimas nos braços dos familiares.

É nestas alturas que percebemos que somos imortais. Que tudo terminará inevitavelmente.

Para quê fazer planos para o futuro, se o nosso futuro pode terminar já amanhã? Devemos sim fazer o bem todos os dias, e se hoje conseguirmos levantar os olhos do nosso umbigo e olhar à nossa volta, talvez estejamos a fazer o que a vida merece… que se faça sempre o bem!