Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Me Cookies and Milk

Me Cookies and Milk

Ainda bem que o tempo não pára

IMG_20160728_090812.jpg

 

Que o tempo não pára, isso nós sabemos. Que passa mais depressa do que desejamos, isso é porque nós deixamos.

A adaptação a gente nova cá por casa aconteceu de forma relativamente calma muito por culpa do Dinis. Aceitou o irmão, embora não fosse vidrado nele, e compreendia sempre que ele desatava aos gritos de noite ou eu tinha de interromper as brincadeiras com ele para dar de mamar ao Martim. Comentava regularmente com as pessoas de forma conformada, “ele chora muito, mas isso é por ser pequenino”.

Mas, embora esta adaptação tenha corrido bem, recordo-me de ir à primeira consulta com o Martim, a médica passar a receita para o Vigantol e dizer-me para dar uma gota a partir dos 15 dias. O pensamento que me ocorreu foi “Aiiii ainda falta tanto para ele fazer 15 dias”. Desejei que ele já tivesse 3 ou 4 anos, admito. Não queria perder os primeiros tempos dele, mas ele chorar sem saber o motivo, não perceber se ele está bem ou não, se o leite é suficiente, se devo ceder às pressões e dar suplemento em vez do meu leite, entre outras coisas, fizeram-me desejar que ele já falasse e me disse-se como se sentia.

Passei os primeiros dias a olhar para o calendário que existe sobre a lareira. A contar os dias para começar o Vigantol. Depois a contar os dias para ele fazer 1 mês, 2 meses e 3 meses…

Ele ficou doente ao mês e meio. A médica chamou-nos à atenção que devíamos ser mais cuidadosos, afastá-lo do irmão porque trazia vírus do colégio. Disse isto com tanta frieza que nos deixou um tanto ao quanto assustados com ela, com a sua insensibilidade. Como posso afastar o Dinis? Ele é meu filho, irmão do Martim e precisamos, e queremos, que ele esteja ao pé de nós. Evitámos sempre que andasse aos beijos ao irmão quando estava, ou aparentava estar a chocar alguma coisa, mas mais do que isso não podíamos fazer.

Mas era por isso que contava os dias, por causa da fragilidade do Martim.

Embora sempre de olhos postos no calendário, nunca deixei de aproveitar cada momento com o Martim. Agora, olho para o calendário e já passaram 6 meses. Ainda não diz onde lhe dói ou porque está aborrecido, mas já nos diz o quanto gosta de nós com aqueles olhos rasgados, perninhas a dar-a-dar e bracinhos a pedir colo.

O tempo não pára, e ainda bem que assim é, porque nos obriga a olhar para a vida todos os dias e perceber que temos de a viver intensamente.

1 comentário

Comentar post