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Me Cookies and Milk

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As nossas dores

As nossas dores parecem sempre maiores do que as dos outros. São nossas, sentimo-las na pele. Mas não é verdade. Às vezes, para não dizer sempre, precisamos de olhar para o lado para percebermos como somos injustos ao acharmos que não temos sorte nenhuma.
Há alguns anos, tinha o Dinis alguns meses, estava a assistir a um workshop sobre Recursos Humanos e falava-se de resiliência. Enquanto a oradora falava, eu trocava mensagens com o Zé sobre o aspeto do cocó do Dinis. O Dinis quando está prestes a cair de doente, o primeiro sintoma é um cocó estranho (não vou ser mais descritiva porque acho que ninguém está interessado em saber como é o aspeto do mesmo ). Ele estava em casa e eu estava preocupada com o Dinis. Persentia que ia ficar novamente doente com mais uma bronquiolite e estava com medo. Medo das noites com ele ao colo, com picos de febre muito irregulares, rabugento, com tosse ininterrupta e sem apetite nenhum. Durante a troca de mensagens ouvi uma participante a pedir autorização para falar. Eu, continuava a trocar mensagens. Tomou a palavra e contou com venceu um cancro. Fui levantando os olhos do telemóvel e segui a voz até encontrar o rosto daquela mulher. Tinha vinte e poucos anos. Venceu a batalha contra o cancro e estava ali a incentivar as pessoas para pararem de se queixar. Não é suposto travar uma batalha assim tão jovem. Mas ela felizmente (como tantas outras) deu luta e venceu.
Tinha deixado uma mensagem para  o Zé a meio, voltei os olhos para o telemóvel e senti-me envergonhada por estar a achar que o mundo estava prestes a ruir porque o Dinis poderia estar a ficar doente. Ele ainda nem estava doente, e eu já estava aflita. Apaguei a mensagem, guardei o telemóvel e levantei os olhos para aquela rapariga. Fixei-a e pedi-lhe desculpa nos meus pensamentos. Pedi-lhe desculpa por achar que a minha vida é difícil quando ela teve um teste tão duro à sua coragem, fé e força e não virou costas ao problema.
Hoje, o Dinis já deu sinais que os próximos dias vão ser de choco por casa. Tenho medo, é inevitável… mas aquela rapariga não me sai da cabeça nestas ocasiões. Ganho vergonha e ganho coragem para ser a mãe forte e corajosa que ele precisa.

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