Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Me Cookies and Milk

Me Cookies and Milk

Hospital porque te quero... ou não!

IMG_20160725_115110.jpg

 

Ora bem, já algum tempo que não nos passeávamos pelas urgências num hospital, por isso decidi que estava na hora de matar estas saudades de batas brancas, horas de espera intermináveis, auscultações, medicação SOS, exames e mais exames e outras coisas tantas que uma doença nos pode proporcionar :/
Felizmente desta vez os rapazes ficaram a salvo desta adrenalina das urgências, foi cá a menina que decidiu arranjar uma doença.

Na sexta decido ir à médica porque há 2 semanas que andava com febres irregulares. Depois de me auscultar percebeu que um dos pulmões não estava muito bem e mandou-me fazer um Raio X. Andei 2 horas ao sol atrás de um bendito local que me fizesse um Raio X de urgência. Talvez por causa do sol, ou não, assim que terminei o Raio X fiquei com tantas, mas tantas dores num dos lados das costas que mal consegui conduzir até casa.

Tomei um banho, tentei descansar, mas as dores eram insuportáveis (eu que já tive 2 partos e um aborto, não estava a conseguir aguentar as dores)… franquinhaaa!

Fui à urgência e aí começou a diversão.

Sou chamada para a triagem, o médico ou enfermeiro ou lá o que é aquele senhor, nem levanta os olhos e antes de me sentar perguntar “QUÉ QUE TENS?!” Percebi que aquilo ia ser uma conversa muitoooo interessante. Fiz um rápido resumo do que aconteceu e acabo a dizer que além das dores insuportáveis tenho febre. Ele não responde. Passado uns segundos pergunta “Tens febre?”. Lá repeti “sim, tenho febre”. Lá me mete um aparelho o ouvido e exclama “ Ei, pois tens. Devias tomar um benuron”. Acenei com a cabeça concordando com ele no que toca ao benuron. Continua “ Não trouxeste nenhum?” Oi, como?!? Era suposto trazer medicação para um HOSPITAL?! Respondi com admiração “Não, não trouxe. Eu estou num hospital, vocês não têm?”. “Não, eu não tenho mas devias arranjar algum para baixar a febre”. Nem respondi.

Afastei-me para a sala de espera parvinha da vida e enquanto pedia ao Zé que fosse a uma farmácia comprar medicação esbarro com dezenas de pessoas na sala de espera. Estava tantaaa gente. Estavam doentes, impacientes e cansados de estar à espera. O tempo de espera para casos “amarelos” era de 3 horas no mínimo. Quis logo vir embora mas o Zé lá me convenceu a ficar.

Admito que as 4h30 que aguardei para ser atendida até passaram depressa. Havia tanta coisa acontecer à volta que me distraia. Houve situações para todos os gostos. Aqui ficam as mais interessantes:

Ambientadores naturais
O senhor ao meu lado tinha calor. Calor nos pés. Decide descalçar-se e é nesse momento que sobe um cheiro a churrasco fora do prazo misturado com fertilizante natural das lavouras.

Não bastava o cheiro a churrasco (mau) umas cadeiras à frente um senhor decide presentear-nos com um miniconcerto de libertação de gases. Nesse momento só me ocorria cantar “soltem os prisioneiros, soltem os prisioneiros, por todo mundo há prisioneiros, la la la”

Medicação à força
Chamam a Dª Lucinda. Lá vai a senhora, já de alguma idade, pela quinquagésima vez ver se é desta que a chamam para dar alta. Vai uma filha com ela. Diz-lhe a enfermeira “Dª Lucinda vamos fazer medicação”. A filha questiona para que era a medicação e acha estranho o tipo de medicação que a mãe vai fazer. Insiste com a enfermeira que a medicação deve estar errada. A enfermeira insiste que não, e tenta à força dar a medicação à senhora. A filha exige que vá confirmar a medicação a dar à mãe. A enfermeira regressa e diz “Está certa sim senhora, a Dª Lucinda Pinto tem de tomar esta medicação”. A filha afasta a mãe e diz à enfermeira “Então chame a Lucinda Pinto, porque a minha mãe chama-se Lucinda Carvalho”… Senti medo, muito medo.

Quase viúva
A mesma senhora que tentam forçar a medicação conta que há algum tempo atrás foi ao hospital com o marido. Chamaram-na para anunciar que o marido tinha falecido. Ficou, naturalmente, de rastos, revoltada, exigia explicações até porque o marido entrou no hospital com um quadro clinico nada grave…. Lamentaram e explicaram que não tinha resistido. Ainda a médica falava com ela, quando esta senhora a interrompe e diz “Obrigada pelos pêsames, mas não devem ser para mim porque o meu marido vem aí”. Ups, engaram-se na “viúva”.
E pronto, mais episódios houve nestas 4h30 de espera, mas tinham tanto de ridículo como engraçado que passava o resto do dia aqui a relatá-los.

 

Ah é verdade, diagnosticaram-me uma pneumonia. Repouso, líquidos, muitos líquidos, antibióticos e há-de passar num instantinho. Felizmente posso continuar a amamentar a cria mais nova… Yeahhhhhh!