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Me Cookies and Milk

Me Cookies and Milk

Loucuras de uma mãe #1

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Se há 3 anos soubesse o que sei hoje, tinha poupado uns bons litros de lágrimas. Tornei-me mãe e dei por mim a fazer coisas que achava que só alguém muito desequilibrado podia fazer. Coisas como:

  • Sair do quarto a rastejar: O rapaz dava luta para dormir. Chorava tanto quando percebia que ia deita-lo na cama dele, que a maior parte das vezes acabava por ceder e deixa-lo dormir no meu colo. Mas, as vezes que conseguia deita-lo no berço (raríssimas), se ele estivesse semiacordado e me visse abandonar o quarto, desatava num berreiro que acordava todo o prédio e arredores. Por isso deitava-o e fazia-me desaparecer do quarto rastejando. Era ridículo, claro, mas chegou a resultar uma meia-dúzia de vezes.
  • Substituir-me por peluches: Antes de sair a rastejar do quarto, tinha de assegurar que o rapaz não sentia que estava a deixa-lo no berço. Então, assim que o deitava ia substituindo o meu corpo por peluches e almofadas que, no global, tivessem o meu tamanho e fizessem pressão nos sítios exatos… Para parecer que ainda estava ali, mas não estava… já estava a sair do quarto a rastejar.
  • Ir à casa de banho com o rapaz ao colo: Isto de amamentar é muito bonito mas dá cá uma sede. Beber 5 litros de água por dia significa umas boas dezenas de idas à casa de banho. Mas nem sempre o rapaz estava a dormir ou suficientemente sossegado para o deixar 30 segundos enquanto ia à casa de banho. Por isso, algumas (poucas) vezes o rapaz foi ao meu colo.
  • Fazer render o banho: Ainda hoje é o momento mais zen que tenho. São 5 minutos que sabem a 1 hora num SPA. Os miúdos ficam com o pai, e eu tenho direito a 5 minutos de água a correr sem interrupções, sem crianças agarradas às pernas, fazer birras, bolsar, etc. Admito que algumas das vezes, depois de tomar banho, fico por lá mais 5 minutos a aproveitar o silêncio da casa de banho.
  • Bombardeamento de perguntas: Perguntar a toda gente se acham normal determinado comportamento da criança, crescimento, plano alimentar, peso, perímetro cefálico, dentição, etc. Isto até pode parecer normal, mas fazer estas perguntas a pessoas que não têm filhos, não são pediatras, nem percebem nada do assunto, é um bocadinho parvo. Mas pronto, eu fazia-o (e ainda faço às vezes).
  • Repetir roupa da “sorte”: É muito parvo, mas quando o rapaz dormia uma noite melhorzinha, usava o mesmo pijama na noite seguinte (era como se fosse um amuleto da sorte). Lavava o pijama de manhã para dar tempo de secar para a noite, e repetia o processo sempre que a cria dormia bem.

Estas são algumas das situações que me fizeram duvidar se “jogava com o baralho todo”. Durante muito tempo acreditei que estava a ficar parvinha de todo, até que me emprestaram um livro sobre a maternidade. Era um livro escrito por uma mãe americana. O livro era divertidíssimo e contava alguns dos episódios mais caricatos que aconteciam com ela. Curioso é que a maior parte deles eram coisas deste género. Percebi que não estava sozinha e que algures do outro lado do Atlântico uma mãe também não “jogava com o baralho todo”.