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Me Cookies and Milk

Me Cookies and Milk

Que fique para a história...

Ao Dinis e ao Martim...

Daqui a muitos anos, quando vocês lerem estas memórias quero que saibam isto:
Há 3 dias fez-se história. Uma história que não vem nos vossos livros de história da escola. Provavelmente os vossos livros de história falarão de 2016 como um ano de instabilidade política no nosso País, do governo que não ganhou as eleições mas chegou à liderança, da saída da Inglaterra da União Europeia, de ataques terroristas, e de outras coisas mais. De certeza que nos vossos livros de história não relatarão a vitória de Portugal na final do campeonato da Europa de futebol. Talvez vocês nem gostem de futebol, mas devem saber que este campeonato deverá ficar para sempre nas nossas memórias.
Há 3 dias jogamos a final do campeonato da Europa de futebol e ganhámos.
Começamos o campeonato no grupo, aparentemente, mais fácil. Equipas principiantes, sem grande história no futebol, nem com grandes vedetas que nos fizessem tremer. Empatámos os jogos todos. Não jogámos bonito, mas lá conseguimos passar depois de tanto sofrimento e luta. Até à final ganhámos os jogos nos descontos e nos penáltis. Ganhámos todos os jogos desta segunda fase do campeonato, mas muita (mesmo muita) gente questionou a "justiça" de estarmos na final. O nosso treinador, Fernando Santos, disse numa conferência de imprensa, no início do campeonato, que só voltava no dia 11 de julho (dia após a final) e ia ser recebido em festa... Nós rimo-nos desta afirmação. O riso de gozo deu lugar a um sorriso envergonhado no dia 11 de julho. O treinador acreditou na equipa e nós -a maior parte de nós - não acreditou nele.
Desde que vocês nasceram que deixei de ver tanto futebol. Alguns dos jogadores da seleção, admito, nem os conhecia. Mas vale a pena conhece-los. Foram mais de duas dezenas de jogares que lutaram pelo nosso sonho. Levaram a pátria ao peito e por ela deixaram a pele em campo. Correram até as pernas começaram a ceder pelo cansaço. Levaram a cabeça sempre que as coisas não corriam de feição. Nunca desistiram mesmo quando nós estávamos quase a desistir deles.
Na final o Ronaldo - o melhor jogador do Mundo - lesionou-se no início do jogo. Chorou, e Portugal chorou com ele. Assistimos em silêncio à sua saída de campo. Nos nossos pensamentos ocorria-nos que talvez não conseguíssemos vencer aquela seleção que nos chamou de nojentos, a França. O capitão estava fora de jogo. Assim que o jogo recomeçou depois da substituição do Ronaldo, Portugal voltou a erguer-se. Levantámo-nos e gritámos por Portugal. Creio que os gritos de apoio entoavam por todo Mundo. A seleção estava de volta e acreditou que podia vencer por nós. Nós acreditámos nele. Chegámos ao fim dos 90 minutos empatados a 0. Lutámos por mais 20 minutos e mesmo no fim do prolongamento o "patinho feio" da selecção, o Éder, encarnou a bravura de uma nação e chutou à baliza... foi golo!
O golo levantou um País. Gritámos eufóricos, saltámos de alegria e abraçámos desconhecidos. Juntos, todos juntos gritámos Portugal.

Nessa noite fiquei convosco no quarto a adormecer-vos enquanto lá fora havia um Portugal que se levantava para festejar.
Vocês adormeceram embalados pelos festejos, pelos gritos a Portugal, pelas buzinas dos automóveis, pelos apitos e fogo-de-artifício.
Vocês adormeceram enquanto Portugal acordava de um sonho que há muito havia sido sonhado. Quando vocês acordaram Portugal estava vestido de verde e vermelho. Nas janelas haviam bandeiras, as pessoas sorriam e todas as conversas eram sobre aquele jogo.
Há 3 dias renascemos e tornámo-nos num País ainda melhor, e vocês fazem parte deste País!

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