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Me Cookies and Milk

Me Cookies and Milk

Sabe bem fazer o bem

“Faz o bem e não olhes a quem”, disse-me a minha mãe, repetidamente, durante muitos anos (e ainda agora o diz).
Há cerca de 1 mês, depois de uma stressante e desgastante hora às compras (ora não fosse o Dinis andar sempre a meter dentro do carrinho de compras, à socapa, tudo que é brinquedos e bolachas) saímos apressados porque a cria mais nova gritava com fome e a mais velha com a neura de não ter trazido todos os brinquedos do hipermercado.
Enquanto tentávamos sentar e acalmar os miúdos, numa distração, a porta do carro abre mais do que o desejado e bate no carro estacionado ao nosso lado. A marca cinzenta era evidente no carro preto. Sustivemos a respiração e desejámos com todas as nossas forças que aquilo que víamos, uns riscos cinzentos, saísse facilmente ao passarmos a mão. Não saíram. O mês já ia longo com tantas despesas, desejávamos que aquilo não tivesse acontecido, podíamos até fechar a porta, olhar em redor para ter a certeza que ninguém viu e desaparecer. Não o fizemos. A nossa consciência, felizmente, não o permitia.
Deixámos um bilhete a pedir desculpa pelo sucedido e um pedido de contacto para resolvermos a situação.
E se o dono do carro aproveitar para fazer mais uns riscos e nos culpar pela situação. E se ele “não tiver as luas todas” e se lembrar de nos pedir uma indemnização por danos morais e etc e tal? Passou-nos muita coisa (parva) pela cabeça.
Passados 5 minutos de deixarmos o parque do hipermercado recebemos uma chamada. Era o dono do carro preto. Tinha lido o bilhete e estava a ligar-nos para resolver a situação.
Tinha um familiar que trabalhava na área. Ia pedir-lhe um orçamento. Combinámos na semana seguinte voltar a falar para saber quanto nos ia custar a reparação. Despediu-se com um “Obrigado”. Ficamos otimistas. Talvez o senhor só nos peça mesmo o dinheiro para a reparação da porta e não seja um oportunista e tente pintar o carro todo à nossa pala.
Não ligou na semana seguinte. Enviou-nos hoje uma mensagem a dizer que tinha um orçamento de 40 euros para reparar a porta. Dissemos logo para avançar, transferimos o dinheiro e despedimo-nos uma vez mais a pedir desculpa pelo transtorno. Recebemos a resposta a dizer simplesmente “Obrigado pela atitude! Obrigado pela sinceridade”.
Ficamos orgulhosos de nós. Por não termos caído na tentação fácil de irmos embora sem dizer nada. Ficamos orgulhosos porque o Dinis assistiu a tudo e talvez tenha percebido como é importante sermos sérios, respeitar o próximo e fazer sempre o bem. Porque afinal, apenas o bem compensa.